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No 2º dia do julgamento de Temer no TSE, bolsa e dólar sobem

No segundo dia dojulgamento da denúncia de abuso de poder econômico contra a chapa Dilma Rousseff (PT)-Michel Temer (PMDB) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE),existe um certo otimismo na absolvição do presidente e naaposta de manutenção das reformas estruturais da economia.


"Os investidores acreditam que as mudanças nas leis trabalhistas e na Previdência Social têm boas chances de ser efetivadas se o presidente ficar", disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management. "Uma vitória no TSE deve manter a base aliada unida e facilitar os trâmites."


O Ibovespa, principal índice do mercado local, subia 0,18%, para 63.070 pontos, às 13h40, já tendo avançado até 1,08% na máxima do dia até o momento.


A sessão do TSE será retomada na quinta-feira às 9h. O relator do caso, ministro Herman Benjamin, defendeu que os relatos de caixa dois na referida campanha eleitoral, os quais foram feitos pelos executivos da construtora Odebrecht em seus acordos de delação premiada com a Justiça, sejam incluídos no processo. Gilmar Mendes chamou o argumento de Benjamin de "falacioso".


A ação da Smiles, o programa de fidelidade da Gol, tem a maior alta do índice, subindo 3,97%. A companhia anunciou na noite de ontem (6) a sua reorganização societária, com incorporação pela Webjet, e um pagamento de juros sobre o capital próprio de R$ 14,7 milhões.


Kroton (3,43%) e Estácio (2,60%) também são destaques positivos no horário.


Do lado das quedas, destacam-se Eletrobras (-3,54%), JBS (-2,15%) e Gerdau (-2,11%).


Câmbio


O dólar opera perto da estabilidade, com viés de alta, no início da tarde desta quarta-feira.


A leitura entre agentes financeiros é de que um resultado favorável para o governo no TSE e a permanência de Temer podem não ser obstáculos para a agenda reformista. Essa visão é amparada pelo debate em torno de um "parlamentarismo branco". Pela fórmula, o ministro Henrique Meirelles exerceria quase que as funções de um primeiro-ministro, enquanto os principais partidos da base cuidariam do Congresso.


A aprovação da reforma trabalhista na CAE do Senado seria um exemplo desse cenário. A expectativa é de que a medida será aprovada apesar das dificuldades ao longo do caminho. A proposta previdenciária, por outro lado, ainda é vista com bastante ceticismo e sua aprovação, se ocorrer antes de 2019, deverá se basear num conteúdo bem mais diluído.


Apesar do sentimento mais ameno do mercado sobre a permanência de Temer no governo, o sócio e gestor na Leme Investimentos, Paulo Petrassi, diz que a cassação poderia ser positiva para a agenda de reformas. "A preocupação é de que Temer fique no poder e comecem aparecer mais novidades. Ele pode ser minado e isso diminui a probabilidade de aprovação da reformas", diz.


Por volta das 13h45, o dólar subia 0,25%, cotado a R$ 3,2854. A moeda americana segue operando no estreito intervalo de R$ 3,25 e R$ 3,30, que persevera desde o estouro da crise política.


O contrato futuro para julho, por sua vez, avançava 0,15%, a R$ 3,302.


Juros


Os juros futuros iniciam o período vespertino em leve alta, revertendo a queda do começo do dia. A percepção de risco no mercado de renda fixa aumenta gradualmente nesta quarta-feira. As incertezas podem perseverar mais que o esperado uma vez que os ministros da Corte decidiram alterar o cronograma do processo.


O colegiado definiu que o julgamento será ampliado por toda a quinta-feira, com risco de estender no dia seguinte. Por ora, não houve pedido de vista e a expectativa entre especialistas é de que o TSE consiga chegar a uma decisão ainda nesta semana.


Na avaliação da MCM Consultores Associados, o placar será bem apertado e o voto decisivo virá do ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto. A consultoria contabiliza três votos que tendem pela cassação (Herman Benjamim, Luiz Fux e Rosa Weber) e outros três pela absolvição (Gilmar Mendes, Napoleão Maia e Admar Gonzaga).


Em geral, a leitura entre profissionais de mercado é de que o governo pode sair vitorioso da Corte. Os mercados operam com uma calmaria relativa diante da percepção de que, apesar da crise política, o governo Temer tem dado sinais de que pode superar obstáculos e ganhar tempo para avançar com a agenda reformista. A aprovação da proposta trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ontem seria um sinal disso.


No entanto, os riscos continuam.


Por volta das 13h50, o DI janeiro/2021 operava a 10,520%, ante 10,450% no ajuste anterior, já com algum espaço na comparação com a mínima de 10,370%. ODI janeiro/2018 operava a 9,320%, ante 9,315% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 marcava 9,430%, ante 9,390%.

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