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Aumenta tensão no mercado com TSE; Ibovespa cai e dólar sobe

O clima no mercado de ações brasileiro é tenso, no final da manhã desta quinta-feira, enquanto avança o debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de cassação da chapa Dilma Rousseff (PT)-Michel Temer (PMDB), vencedora da eleição presidencial de 2014.


A sessão foi interrompida para almoço e será retomada às 14h30. Pelas manifestações até o momento, a tese de que as revelações de atos ilícitos contidas nas delações premiadas dos executivos da construtora Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura deveriam ser apreciadas no processo que julga a denúncia de abuso do poder econômico pela referida chapa será rechaçada.


Nesse caso, aumentam as chances de absolvição de Temer, segundo especialistas.


O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, recuava 0,97%, para 62.560 pontos, às 13h20.


A Copel tem a maior queda do índice, de 10,13%, a R$ 25,02, depois de confirmar que estuda a hipótese de uma venda de ações.


Parte do mercado tem dito acreditar que a manutenção de Temer na presidência é mais favorável para o andamento das reformas estruturais vistas como essenciais para a retomada da economia. A maioria dos investidores, entretanto, prefere adotar uma postura mais cuidadosa diante da elevada incerteza que ronda o desfecho da crise institucional que o país atravessa. A sinalização de que o PSDB possa desembarcar da base aliada já na semana que vem, mesmo com uma decisão do TSE que beneficie Temer, contribui para deixar o cenário ainda mais difícil de analisar.


Câmbio


O dólar opera em alta consistente e se aproxima do nível de R$ 3,29. O avanço da divisa americana reflete a cautela nos mercados domésticos com as indefinições na cena política. O julgamento da chapa Dilma-Temer se aprofunda enquanto a governabilidade de Temer é discutida no mercado sob o risco de um possível desembarque de seu principal partido aliado, o PSDB.


Por volta das 13h20, o dólar comercial subia 0,24%, cotado a R$ 3,2811. A máxima na sessão foi R$ 3,2889. O desempenho da moeda brasileira era pior em comparação com boa parte das principais moedas emergentes, que em geral ganhavam terreno nesta manhã.


A leitura no mercado é de que o julgamento no TSE deve terminar nesta semana e muitos agentes financeiros apostam num resultado favorável a Temer. A permanência do peemedebista no poder pode trazer um alívio pontual para os ativos ao evitar as incertezas de uma troca de governo, dizem operadores. No entanto, mesmo que isso se confirme, a capacidade do Planalto em avançar com a agenda reformista ainda é vista com algum ceticismo.


Hoje, os ministros da Corte continuam debatendo a inclusão de delações premiadas da Odebrecht no processo. O relator Herman Benjamim defende que se considerem os relatos e, hoje, a ministra Rosa Weber se alinhou a este posicionamento. Por outro lado, já se formou maioria para que "fase Odebrecht" não seja considerada.


"O mercado ainda está com esperança de que atual governo pode reunificar sua base e aprovar as reformas. Isso é pouco provável, na minha opinião, porque as notícias da Lava Jato continuam - devem continuar - sendo negativas para o governo e, consequentemente, para a agenda de reformas", alerta o estrategista-chefe na Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno.


Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, é muito difícil aprovar a reforma da Previdência. Por isso, "o melhor cenário seria só passar a idade mínima, que é a questão mais defensável dentre tudo. O resto é mais difícil de convencer", diz. "Se não sai nem isso agora, fica para ano que vem e tudo vira matéria de campanha. Não é cenário fácil de avaliar", acrescenta.


Entre os pontos de atenção, o PSDB deve se reunir na segunda-feira para decidir um possível desembarque do governo. Até o momento, os dirigentes do partido têm sinalizado que devem manter os esforços a favor das reformas mesmo que se retirem dos cargos de ministros de Temer.


O vaivém da política acaba deixando os investidores cautelosos, sem previsão para um momento de mais clareza da política. Em paralelo ao julgamento no TSE, o Planalto vai se preparando para denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra presidente. A aposta no governo é de que a PGR não obterá os votos suficientes na Câmara dos Deputados para que a ação penal seja processada no Supremo Tribunal Federal (STF).


Juros


Os juros futuros operam em alta firme nesta quinta-feira, enquanto se aprofundam as discussões sobre a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. As indefinições na política, que também incluem o debate sobre o apoio do PSDB ao governo, alimentam posições mais defensivas nos ativos financeiros.


O avanço mais consistente nos vértices de médio e longo prazo refletem a cautela entre os agentes financeiros. Entre os ativos mais negociados na sessão, o DI janeiro/2021 sobe a 10,510%, ante 10,470% no ajuste anterior. Na máxima, a taxa avançou até 10,570%.

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