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Dólar atinge R$ 3,31 com tensões políticas; Ibovespa opera em queda

O dólar avança nesta segunda-feira para o nível mais elevado em três semanas. Após iniciar a sessão em baixa, a moeda americana retomou a alta e estende o avanço pelo segundo pregão consecutivo. A movimentação no câmbio reflete o ambiente de cautela na política. A decisão favorável ao governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas contém a incerteza que ronda a administração de Michel Temer. Por outro lado, o conjunto de eventos de risco nos próximos dias pesam no cenário e alimentam as dúvidas em torno da capacidade do Planalto de avançar com a agenda de reformas.


Grande parte das indefinições vem do apoio político ao governo de Temer. Está prevista para esta segunda-feira a reunião do PSDB para definir os rumos do partido, que pode incluir o debate sobre a permanência ou desembarque da atual gestão no Planalto. Profissionais de mercado não esperam a ruptura definitiva dos tucanos, mas até que essa postura fique clara a recomendação é evitar o risco e se proteger no dólar.


A estratégia para as moedas também se aplica ao risco de denúncia contra Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar a acusação ao Supremo Tribunal Federal (STF) até a próxima segunda-feira, dia 19 de junho. Sendo assim, a recomposição da base aliada é vital para Temer, que precisa de 171 votos para barrar o processo.


Na avaliação da consultoria Eurasia, é muito provável que o presidente sobreviva a essa votação dada a base de apoio do peemedebista e o crescente desconforto dos políticos em relação a essas investigações.


A reforma da Previdência, por outro lado, traz mais dúvidas. É certo que a tramitação da proposta será adiada, já que o governo Temer tenta agrupar sua base de apoio ao Congresso. Por outro lado, há ceticismo que o atual projeto - atualmente na Câmara - siga em frente. A leitura na Eurasia e entre outros profissionais é de que uma versão enfraquecida pode ser aprovada.


"Enquanto Temer desvia e se protege dessas questões, a reforma fica cada vez mais difícil. O mercado ainda acredita na aprovação, talvez este ano, mas com conteúdo mais fraco. Parece que uma deterioração maior do cenário e proposta ainda não está no preço", alerta o estrategista brasileiro de um banco estrangeiro.


O dólar subiu no começo da tarde e atinge o maior patamar desde 22 de maio, quando chegou a R$ 3,3139%. Com isso, a divisa testa, por ora, a parte superior do intervalo de R$ 3,25 a R$ 3,30 que vinha prevalecendo desde o estouro da crise política.


Por volta das 13h20, o dólar comercial avançava 0,5t7%, a R$ 3,3135.


As discussões sobre o possível anúncio de um "pacote de bondades" do governo é vista no mercado com ceticismo. No entanto, os agentes financeiros alertam que a flexibilização de regras tributárias podem colocar em risco o ajuste fiscal, o que se traduziria em uma reação negativa nos ativos financeiros.


Bolsa


A bolsa de valores brasileira opera em queda diante das preocupações relativas à crise política ofuscando a expectativa de redução dos custos do crédito no Brasil.


Depois de o TSE absolver a chapa Dilma Rouseff-Michel Temer da acusação de abuso do poder econômico, garantindo um certo fôlego para a atual administração, todas as atenções agora estão voltadas à reunião da Executiva do PSDB.


A principal preocupação do mercado diz respeito ao apoio parlamentar ao andamento das reformas estruturais que são vistas como essenciais para garantir o crescimento sustentável do país no futuro, mas uma base sólida também deve ajudar o presidente a enfrentar outras ameaças ao seu mandato, como a esperada denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção.


Diante de tantas incertezas, as apostas dos especialistas em uma forte queda dos juros no país passam praticamente despercebidas entre os investidores hoje.


O Ibovespa, principal índice acionário local, recua 1,02%, para 61.578 pontos, às 13h20.


Os bancos têm o pior desempenho entre sete grupos setoriais hoje: o Índice Financeiro, que reúne os papéis do segmento, recua 1,53%. A BB Seguridade lidera as perdas, caindo 3,90%, a R$ 28,60.


Juros


O mercado de renda fixa destoa de outros ativos domésticos nesta segunda-feira. Os juros futuros operam em baixa desde o início do dia, em contraste com a desvalorização do câmbio e a perda de terreno na Bolsa. O movimento nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) se apoia na perspectiva de queda da taxa básica de juros em meio a sinais de inflação baixa e atividade fraca no país.


O DI janeiro/2018 cai a 9,140%, ante 9,165% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 9,140%, ante 9,210%.


O DI janeiro/2021 marca 10,250%, ante 10,300% no ajuste anterior. Entre vencimentos mais longos, o Di janeiro/2023 cai a 10,750%, ante 10,810%, e o DI janeiro/2025 recua a 10,940%, ante 11,030%.

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