Ilan: 'Pessoalmente não me sinto blindado' em meio à crise política

Atualizada às 22h52 - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira, em evento à noite em São Paulo,que continuará "trabalhando da mesma forma" que começou. "Vou continuar sendo o mais técnico possível. Vou tentar contribuir da melhor forma possível", disse o presidente do BC ao ser questionado sobre como pretende, à frente do BC, colaborar com a melhora da economia.



Ilan foi questionado ainda sobre uma aparente sensação de blindagem da equipe econômica e da economia em meio à crise política. "Pessoalmente não me sinto blindado", disse o presidente, engatando que ainda existe "muito risco em tudo que fazemos" - referindo-se a riscos mais gerais, de um cenário sujeito a intempéries.


Ilan lembrou ainda o avanço de processos de regulamentação e punição. O presidente do BC citou a MP 784, que amplia os poderes punitivos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (BC) e instituiu a ferramenta dos acordos de leniência para esses órgãos. A modernização dos processos administrativos do BC faz parte da Agenda BC+, lançada pelo BC.


O presidente do BC disse ainda que vê "com bons olhos" as "fintechs", como são chamadas as empresas de tecnologia financeira, e destacou a importância da concorrência gerada pelo avanço tecnológico dos processos financeiros.


Meta de inflação


Ilan disse que o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidirá neste mês sobre a meta de inflação de 2019.


Questionado por um participante da plateia sobre o porquê de a meta de inflação ainda ser de 4,5%, Ilan disse que "não tivemos ainda oportunidade e ousadia de mudar meta de inflação de 4,5%".


Ilan lembrou que a meta de inflação em países avançados é de 2%.


Questionado sobre o papel do Estado na economia, Ilan disse haver espaço para o Estado se concentrar em lugares nos quais deve estar. "Tem que saber focar, tem que saber onde o Estado tem benefício", concluiu, citando a importância do papel do Estado na economia brasileira.



Independência formal


Ilan comentou ainda sobre as discussões que antecederam sua ida à presidência do BC. Eledisse que antes de ser sondado oficialmente já via seu nome ser citado na imprensa.


Posteriormente, já concluindo as negociações para assumir o BC, Ilan lembrou que à época havia intensa discussão sobre a aprovação de uma lei que garantisse a independência formal do BC. Ilan disse que informou a membros do governo que não faria questão de status de ministro com a lei de independência formal. "Essa lei ainda está sendo discutida", disse Ilan.


Selic


Ilan disse também que "passou o dia" ouvindo de economistas que o BC deveria baixar mais os juros.


Mais cedo, Ilan participou de uma série de reuniões com profissionais do mercado financeiro. Paralelamente, diretores do BC estiveram reunidos com economistas para colher impressões acerca da situação macroeconômica. Os comentários dos analistas servem de subsídio para a elaboração do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), cuja próxima edição será divulgada até o fim do mês.


Perguntado sobre como é presidir o BC, Ilan falou da responsabilidade de assumir tal função. "Estou satisfeito", respondeu.



Ilan participou de evento na Unibes Cultural, entidade que promove ações de assistência social e ligada à comunidade judaica.


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