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Bancos sustentam alta do Ibovespa e dólar cai com expectativa por Fed

O forte avanço do setor financeiro está garantindo uma sexta-feira em território positivo para a bolsa de valores brasileira.


A notícia de que a quarta turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu pelo trancamento da ação penal contra o presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, em caso relacionado à operação Zelotes impulsiona as ações da instituição.


O Índice Bovespa tem ganhos de 0,97%, aos 62.428 pontos, às 13h55. Os índices que reúne ações do setor financeiro apresenta a maior elevação entre sete grupos setoriais, de 1,58%.


A ação preferencial do Bradesco avança 3,25%, a R$ 26,98, enquanto a ordinária sobe 3,10%, para R$ 26,93. O processo contra Trabuco Cappi foi trancado, segundo o tribunal, "por falta de justa causa".


Dados fracos relativos à economia dos Estados Unidos também ajudam a impulsionar o mercado local, por reforçarem a aposta de que o Federal Reserve, o banco central americano, deve seguir elevando os juros do país de forma parcimoniosa. Os analistas apostam que a taxa básica de juros da economia do país será elevada em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 1% a 1,25% ao ano, na reunião de hoje do comitê de política monetária da instituição. Assim, o dólar comercial recua 0,96%, vendido a R$ 3,2762, e os contratos de juros futuros também caem na BM&F no horário mencionado acima.


Na primeira etapa do dia, a alta de 2% do minério que ferro, que fechou vendido a US$ 54,43 a tonelada na China, chegou a impulsionar as ações da Vale, porém os papéis perderam fôlego. O papel PN da mineradora recua 0,85%, para R$ 24,54, enquanto o ON perde 1,18%, a R$ 26,06, no final da manhã.


A Cesp despenca 5,34%, para R$ 15,96, depois de o conselho diretor do programa de desestatização do Estado de São Paulo recomendar o prosseguimento da privatização da companhia.


Em véspera de feriado, que sempre inspira cautela, os investidores também aguardam os novos desenvolvimentos da operação Lava-Jato e da crise institucional que o país enfrenta.


O Ministério Público deve ouvir hoje o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-presidente do conselho de administração da JBS, Joesley Batista, sobre o grau de conhecimento de Michel Temer (PMDB) de atividades de corrupção, segundo noticiado pelo jornal Valor. A Folha de S.Paulo afirmou no início da semana que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar uma denúncia contra o presidente.


A principal preocupação do mercado é de que a tensão e as desconfianças que cercam o chefe do Poder Executivo acabem paralisando os trâmites das reformas estruturais que são essenciais para garantir o crescimento sustentável do país no futuro.


Dólar


O dólar registra nesta quarta-feira a maior queda diária em quase um mês. O movimento do câmbio brasileiro volta a se alinhar com o sinal vindo dos principais emergentes, sinalizando um "respiro", pelo menos neste momento, do turbulento ambiente de Brasília. Faltando poucas horas para decisão de política monetária do Federal Reserve, o dólar opera em queda generalizada lá fora. O catalisador do movimento veio com a divulgação de indicadores mais fracos que o esperado de inflação e comércio varejista nos Estados Unidos, amenizado o receio de um discurso mais duro sobre o aperto monetário americano.


Por aqui, o dólar comercial recuou a R$ 3,2747 na mínima do dia, com baixa de 1,00%. A queda foi a mais acentuada, em termos percentuais, desde a baixa de 3,89% durante a sessão de 19 de maio. Na ocasião, o mercado mostrava ajustes técnicos um dia após o subir 8,06% no estouro da crise política.


No começo da tarde, o contrato futuro para julho caía 1,25%, cotado a R$ 3,2880.


Na avaliação de especialistas do ING, os sinais de fragilidade dos Estados Unidos trazem mais dificuldade para a comunicação do Federal Reserve. "Eles seguem falando que o crescimento mais lento e a inflação mais fraca se mostram transitórios, mas quanto mais tempo ficamos sem ver pressões de crescimento e inflacionárias os mercados se tornam menos convencidos sobre taxas mais altas", dizem em relatório.


É quase consensual - e amplamente precificada - a visão de que o banco central americano elevará a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 1,00% a 1,25%. Hoje, será divulgado também o gráfico de pontos ("Dot plot"), que mostra as expectativas dos participantes do Fomc para a taxa de juros. Em março, em média, havia expectativa de três aumentos ao ano em 2017, 2018 e 2019. Em geral, não se espera que o Fed mude agora essa visão.


Outro tema que pode ser é o debate sobre quando e como começará a reduzir o tamanho de seu balanço patrimonial, atualmente em US$ 4,5 trilhões.


Ainda que o mercado se concentre no exterior nesta quarta-feira, as incertezas políticas no Brasil continuam sendo assunto recorrente entre especialistas. Um eventual denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer e os esforços do peemedebista no Congresso para impedir a evolução da questão mantêm um olhar cauteloso sobre o ambiente doméstico. Para barrar a denúncia, Temer precisará de um terço dos votos da Câmara, algo que é viável do ponto de vista de boa parte dos agentes financeiros.


No entanto, os riscos de atrasos e enfraquecimento do ajuste fiscal ainda pensam nas avaliações do mercado. Nos últimos dias, o dólar testou o nível de R$ 3,33. Na avaliação do diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, se a divisa romper de maneira consistente o nível de R$ 3,35, é possível que a tendência do dólar passe a ser de alta no médio e longo prazo. "Estamos nos aproximando dos pontos de reversão e, se isso ocorrer, vamos ficar cada vez mais distantes do exterior", diz.


Por ora, os ativos não foram totalmente "stopados", isto é, as posições não foram zeradas na íntegra. Isso porque ainda existe expectativa de aprovação de, pelo menos, parte da reforma da Previdência, diz o diretor da Wagner Investimentos.


Juros


Os juros futuros engatam em firme queda nesta quarta-feira. Em dia de decisão de política monetária nos Estados Unidos, o recuo nas taxas é direcionado pela perspectiva de que o Federal Reserve não teria fundamentos econômicos suficientes para justificar um aperto monetário mais agressivo. A renda fixa doméstica reflete assim a queda generalizada do dólar no exterior e dos juros dos Treasuries.


O catalisador do movimento veio com indicadores de inflação e vendas no varejo nos Estados Unidos. Os números foram mais fracos que o esperado, incluindo uma pequena deflação em maio, contribuindo assim para a visão de que a economia dos EUA ainda não tem tração suficiente para enfrentar uma agressiva elevação de juros.


ODI janeiro/2018 cai a 9,155%, ante 9,195% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 9,140%, ante 9,240% na mesma base de comparação. Ainda entre os intermediários, o DI janeiro/2021 marcava 10,210%, ante 10,360% do ajuste passado.





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