Dólar sobe com exterior e ruídos políticos locais

Investidores voltaram a comprar dólares nesta terça-feira no mercado brasileiro, o que ajudou a cotação a apagar metade da perda registrada ontem.


No fechamento, o dólar negociado no mercado interbancário subiu 0,53%, a R$ 3,3191. Ontem, a taxa havia caído 1,11%, maior queda em cinco semanas.


No mercado futuro, o dólar para julho tinha valorização de 0,68%, a R$ 3,3235. No somatório de todos os vencimentos do mercado futuro de dólar da B3, o giro era de 343.575 contratos, a caminho de se tornar o maior desde 31 de maio, quando 392.855 ativos foram transacionados.


A força do dólar ocorreu num pregão em que a moeda americana bateu vários de seus principais rivais emergentes. No fim da tarde, o dólar subia 1,16% frente ao rand sul-africano, 0,92% contra o rublo russo, 0,58% ante o peso mexicano e 0,81% comparado à lira turca.


Em evento em Londres, a presidente do Federal Reserve (Fed, BC americano), Janet Yellen, reiterou que o BC dos EUA continuará elevando os juros de forma "apenas gradual".


No Brasil, o fortalecimento do dólar foi lastreado pela persistente incerteza política, que aumenta dúvidas sobre a capacidade do governo de tocar a agenda de reformas.


Os agentes financeiros acompanharam os desdobramentos da denúncia feita pela PGR ao STF contra o presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva. O presidente fez nesta tarde pronunciamento para tratar do tema, e os mercados chegaram a piorar o sinal em meio a rumores de renúncia. Com a postura combativa do presidente contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o dólar se afastou da máxima de R$ 3,3344, mas sem abandonar a cautela e os níveis mais altos que os da véspera.


O presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que a Casa continuará a votar matérias importantes e que a reforma trabalhista será levada ao Plenário em regime de urgência imediatamente após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votar o projeto. "Independentemente do que acontecer, vou tocar a pauta do Senado. É um compromisso com o Brasil, não com o governo", disse.

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