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KPMG cita Lava-Jato e não emite opinião em balanço da CAB Ambiental

A empresa de auditoria independente KPMG se absteve de emitir opinião sobre o balanço da Companhia de Águas do Brasil (CAB Ambiental), divulgado ontem (28).


Segundo o relatório dos auditores, não foi possível expressar uma opinião sobre as demonstrações financeiras porque há indicativos relevantes sobre a difícil situação operacional da companhia, que reclassificou um dívida (debêntures) para o passivo de curto prazo devido ao descumprimento de cláusulas contratuais.


Além disso, a empresa e suas controladas "vêm enfrentando dificuldades de obtenção de linhas de crédito necessárias para cumprir seus planos de investimento", situação agravada pela entrada em recuperação judicial da Galvão Participações, grupo controlador da CAB Ambiental, e pela inclusão da Galvão Engenharia no processo de investigação da Operação Lava-Jato.


A KPMG cita ainda a situação da controlada CAB Cuiabá, que está operando sob intervenção da Prefeitura da capital mato-grossense e com quem há um termo assinado prevendo o fim da intervenção, desde que seja efetivado um acordo de investimentos.


"Em decorrência desses assuntos, não é possível determinar no estágio atual qual será o desfecho e seus impactos sobre as demonstrações financeiras, incluindo o reconhecimento, mensuração e realização dos ativos e passivos, bem como concluirmos se o pressuposto de continuidade operacional, base para elaboração dessas demonstrações financeiras, é apropriado", diz o relatório do auditor.


Em 2016, a CAB Ambiental registrou um prejuízo de R$ 81,87 milhões, um crescimento de 22% em relação à perda de 2015, segundo o balanço.


O resultado é explicado por um aumento de 77% no imposto de renda e contribuição social de 2016. Além disso, o imposto de renda e contribuição social diferido da companhia saiu de um patamar negativo de R$ 2,9 milhões em 2015 para R$ 26,6 milhões no ano passado, variação decorrente principalmente de variações no prejuízo fiscal e no custo de baixas contábeis.


A receita operacional líquida da companhia no ano passado cresceu 3,2% ante 2015, para R$ 485 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) contábil recuou 10% na mesma base de comparação, para R$ 101,3 milhões.


A expansão na primeira linha do balanço, segundo a empresa, acompanha o crescimento da receita de saneamento e outros serviços, ao passo que a queda do Ebitda é reflexo do aumento dos custos acima do avanço do faturamento da companhia.

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