Ibovespa sobe em dia de baixo volume com feriado nos EUA; dólar cai

Em dia de volume financeiro fraco por conta do feriado prolongado nos Estados Unidos, a bolsa de valores brasileira está conseguindo sustentar a alta, impulsionada principalmente pelas siderúrgicas.


O Ibovespa, mais importante índice acionário local, subia 0,45%, para 63.183 pontos, às 13h25.


O Índice de Materiais Básicos da B3, que reúne as ações das produtoras de matérias-primas, avançava 1,11%, no maior ganho entre sete grupos setoriais. O índice S&P GSCI de commodities disparava 1,35%.


Entre as maiores altas do pregão se destacam a Usiminas, cuja ação preferencial há pouco disparava 2,83%, para R$ 4,73, e A Metalúrgica Gerdau, que avançava 2,21%, a R$ 5,08.


O clima tranquilo reflete as perspectivas mais positivas para a taxa de juros no país, segundo analistas.


Os economistas continuam baixando as suas estimativas para a inflação neste ano e no próximo, alimentando o otimismo de que o Banco Central possa ser mais ousado na redução dos custos do crédito no Brasil.


Os analistas que participam da pesquisa semanal Focus, do BC, reduziram a mediana da sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 de 3,48% para 3,46% e em 2018 de 4,30% para 4,25%. A estimativa para a taxa básica Selic no final do ano que vem passou de 8,50% para 8,25%, mas a previsão para 2017 ainda se mantém em 8,50%. No dia 6 de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o indicador referente ao mês passado, que deve ajudar a calibrar as análises sobre os rumos dos juros.


A maior baixa do Ibovespa nesta segunda-feira é da Cosan. As ações da empresa há pouco perdiam 2,26%, a R$ 33,80, depois que a Petrobras na sexta-feira anunciou um corte nos preços dos combustíveis, deixando a gasolina e o diesel mais próximos do etanol.


A ação preferencial da Petrobras perdia 0,40%, a R$ 12,32.


As incertezas políticas seguem no centro das atenções dos investidores, que tentam analisar os possíveis impactos das turbulências que rondam o governo Michel Temer (PMDB) sobre a recuperação da economia, que havia começado de forma incipiente no primeiro trimestre. Amanhã, os dados sobre a produção industrial de maio podem ajudar a calibrar essa análise.


Dólar


O câmbio brasileiro destoa de boa parte das divisas globais. Desta vez, o real é uma das poucas moedas a ganhar terreno ante o dólar, ainda que siga entre os piores desempenhos no acumulado do ano. O alívio no mercado vem da leitura de que se atenuaram os riscos sobre uma possível ruptura do governo, aumentando - mesmo que temporariamente - a confiança no avanço da agenda de reformas.


Entre os pontos favoráveis para o governo, estaria a liberação do deputado Rocha Loures e a volta ao Senado de Aécio Neves. O retorno do tucano para o Legislativo significaria apoio adicional ao Planalto numa semana que prevê a votação da reforma trabalhista no Senado. Enquanto isso, com Rocha Loures fora da prisão, reduz-se o risco de um possível acordo de delação premiada que poderia atingir o presidente Michel Temer.


Profissionais de mercado apontam que o noticiário pouco mais ameno ao Planalto é acompanhado de sinais de entrada de recursos no mercado. O Fra de cupom cambial vem caindo nos últimos dias depois de ter tocado os maiores níveis de 2017. O cupom cambial é a taxa de juros em dólar negociada no mercado brasileiro e serve de termômetro para expectativas de liquidez. A taxa do FRA para janeiro de 2018, por exemplo, caía a 2,10% ao ano hoje, contra 2,18% do fechamento de sexta-feira e o pico de 2,44% em 20 de junho.


Há ainda um fator técnico que contribui para a movimentação desta segunda-feira. O diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, destaca que o câmbio tem operado nos últimos dias dentro de um estreito intervalo de R$ 3,29 a R$ 3,32, encontrando dificuldade para ir além desses níveis. Hoje, por exemplo, foi justamente no patamar de R$ 3,3235 (+0,27%) que o dólar marcou a máxima, antes de assumir a trajetória de queda até a mínima de R$ 3,2934 (-0,64%).


O alívio, entretanto, pode ser de curta duração. Isso porque segue a cautela com a atuação do procurador geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. Uma denúncia da PGR, por corrupção passiva, já foi apresentada e tramita na Câmara. Além disso, são esperadas duas denúncias adicionais, uma por obstrução de justiça e outra por organização criminosa.


A agência de classificação de riscos Moody's alertou hoje que a acusação contra Temer reduz a capacidade de obter apoio para aprovar a reforma da Previdência. E se a proposta não for votada neste ano, não deve ser aprovada neste governo.


Por volta das 13h25, o dólar comercial marcava R$ 3,2997, com queda de 0,45%.


O sinal da moeda por aqui contrasta com o avanço no exterior, em meio a liquidez reduzida antes do feriado americano de 4 de julho (Dia da Independência). Os números mais fortes que o esperado da atividade industrial dos Estados Unidos, informados pelo ISM, sustentaram o avanço do dólar. Domesticamente, esse foi um dos fatores que limitou a queda ante o real.


Faria Junior, da Wagner Investimentos, destaca ainda que a agenda americana é carregada após o feriado. A ata da última reunião do Fed será conhecida na quarta-feira e com o relatório de empregos virá na sexta-feira. Os eventos podem alimentar o debate sobre o aperto monetário do Fed. Por ora, a expectativa é de manutenção do gradualismo enquanto se discute no mercado a possibilidade - defendida por muitos dirigentes do BC dos EUA - de mais um aumento de taxa neste ano.


Juros


Os juros futuros se firmam em queda, enquanto os agentes financeiros calibram apostas para a trajetória da Selic. Prevalece a leitura de que o ambiente econômico, de inflação baixa e atividade frágil, é favorável à continuidade do processo de diminuição da taxa básica de juros, a Selic.


ODI janeiro/2018 cai a 8,885%, ante 8,940% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 8,850%, ante 8,910% na mesma base de comparação.


O DI janeiro/2021 cede a 10,020%, ante 10,080% no ajuste anterior.

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