Juros futuros têm firme queda com confiança em novos cortes da Selic

As taxas de DI começaram julho em firme baixa, especialmente nos trechos mais curtos da curva a termo, mais sensíveis às expectativas para a política monetária.


A inclinação entre os DIs janeiro/2019 e janeiro/2018 - uma medida da expectativa para as movimentações da Selic ao longo de 2018 - caiu a -4,5 pontos-base, menor patamar em duas semanas. A taxa negativa mostra que o mercado de forma geral não trabalha com aperto monetário para o próximo ano.


O DI janeiro/2019 - que reflete as expectativas para as decisões do Copom de hoje até o fim de 2018 - chegou às 16h a 8,910% ao ano, mínima do dia. Também é a taxa mais baixa desde 17 de maio, último pregão antes de notícias que mergulharam o governo Temer em nova crise política.


O gatilho para a queda dos juros hoje, especialmente os de vértices curtos, veio de um conjunto de informações, sendo a principal delas a revisão, na Focus, da expectativa para a Selic em 2018. A mediana das estimativas colhidas pelo BC com agentes de mercado caiu de 8,50% para 8,25%. O corte chamou atenção porque o BC tem utilizado em seus modelos as expectativas do mercado para projetar uma série de variáveis econômicas, inclusive IPCA e Selic.


Em outra notícia que colaborou para a queda dos DIs, a Petrobras anunciou, na noite de sexta-feira, redução do preço médio nas refinarias em 5,9% para a gasolina e 4,8% para o diesel - valores já em vigência. E o IPC-S fechou junho em queda de 0,32%, taxa mais baixa que a prevista pelo consenso de mercado. É mais um dado que reforça a visão de que o cenário para os preços deve continuar benigno nos próximos meses, dando conforto para o BC continuar a reduzir os juros.


O profissional de uma asset em São Paulo diz ter notado nesta segunda-feira um movimento de aumento de posições em risco. "Depois de um fechamento de semestre com posições bem mais leves, o mercado parece estar mais ávido por adicionar risco a algumas carterias", diz. Ele pondera, no entanto, que o movimento parece estar ligado sobretudo a temas conjunturais, ligados à política monetária. "O cenário de longo prazo, cheio de incerteza com as reformas, aparentemente não foi alterado", diz.


A inclinação entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 - uma medida do risco embutido para prazos mais dilatados - subia 4 pontos-base, para 165 pontos, numa evidência do grau de incerteza do mercado para o futuro.


Para a Icatu Vanguarda, os cenários previstos para o segundo semestre do ano devem ser parecidos com os vistos na primeira metade do ano. A casa cita queda da inflação, lento crescimento, situação "tranquila" das contas externas e quadro "preocupante" para as contas públicas.


Com as incertezas, a gestora lembra que já na última semana de maio alterou todas as recomendações para "neutro", à espera de "clareza maior" do cenário político. "Neste momento, julgamos ser extremamente prematura tentar tirar qualquer conclusão mais concreta. Assim, acreditamos que o mais prudente seja manter posições neutras", afirma a Icatu em relatório mensal de alocação de ativos.


A casa ainda mantém posições aplicadas nos trechos curtos da curva local de juros, prevendo um ciclo maior de corte da Selic. E também avalia como "excessivo" o prêmio embutido na curva ao longo de 2018, entendendo que o cenário prospectivo "não justifica" tal sobra de taxa.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 caía a 8,855% (8,940% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2019 recuava a 8,810% (8,910% no último ajuste).


O DI janeiro/2021 cedia a 9,990% (10,080% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2023 tinha queda para 10,460% (10,540% no último ajuste). E o DI janeiro/2025 marcava 10,680% (10,750% no ajuste anterior).

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