Vale fará campanha para informar acionistas sobre conversão de ações

A Vale decidiu fazer uma campanha informativa para alertar seus investidores que eles terão de tomar em breve uma decisão importante para o futuro da mineradora e para os próprios acionistas. Até 11 de agosto, os donos de ações preferenciais da Vale terão de decidir se aceitam trocar esses papéis por ações ordinárias, em operação que se insere na reestruturação societária proposta pela Valepar, a controladora da companhia.


Oobjetivo da Vale é que o maior número possível de acionistas se envolva nessa tomada de decisão da troca de ações.


"Não vamos fazer juízo de valor sobre a decisão a ser tomada [de trocar ou não as ações PN por ON], mas queremos comunicar que cada preferencialista precisa tomar uma decisão importante para a companhia e para o futuro do próprio investimento de quem é acionista", disse ao Valor Luciano Siani Pires, diretor-executivo de finanças da Vale."Vamos perseguir nossos acionistas para que eles sejam lembrados de que precisam tomar essa decisão", brincou Siani.


Embora a Vale não vá se posicionar sobre o que o investidor precisa fazer, a empresa pretende se comunicar com seus acionistas para que eles decidam "conscientemente" sobre a operação, disse Siani.


"Seria muito ruim uma pessoa não se envolver, não tomar uma decisão por inércia, e ser carregada pelo resultado daquilo que os demais venham a decidir."


A Vale tem 255.118 acionistas e a maior parte desse universo de investidores se refere a pessoas físicas no Brasil. A mineradora não revela quantos investidores pessoa física têm na sua base, mas o Credit Suisse estimou que do total de papéis preferenciais da empresa - de cerca de 1,96 bilhão de ações - 15,91% estão em mãos de investidores de varejo no Brasil.


É sobre esses investidores que vai recair a campanha da Vale. Haverá ações informativas em mídia digital e impressa e a empresa vai mandar mala-direta aos investidores. O acionista terá ainda a opção de buscar informações complementares em um espaço específico sobre a operação no site da empresa.


Siani também gravou vídeo disponível nas plataformas digitais (Facebook, Twitter, Linkedin) para informar os investidores sobre a operação. A Vale busca ainda facilitar o contato dos investidores com as corretoras.


Outro foco da Vale são os chamados fundos passivos, geridos por bancos. Se a operação de troca de ações for bem-sucedida, a expectativa é que haja aumento na liquidez das ações ordinárias da Vale em relação às ações preferenciais.


Hoje, a ação ordinária (Vale3) representa 4,01% do índice Ibovespa e a ação preferencial (Vale5), 5,04%. O peso da ação ordinária no índice deve aumentar caso a operação atinja seu objetivo. Na visão da Vale, o fundo passivo teria incentivo de fazer a conversão uma vez que, se a transação se realizar conforme o planejado, o fundo poderia se posicionar de acordo com a composição do novo índice na bolsa.


"Não vamos dizer se converter é bom ou não, mas explicar que, caso a operação seja bem-sucedida, é interesse do fundo ter as ações que vão passar a ser a maior parte do índice", disse Siani.


A troca voluntária de ações PN por ON embute desconto de cerca de 6% aos preferencialistas, mas a empresa e grande parte dos investidores entende que a operação é vantajosa.


Na terça-feira passada (27), 68% dos preferencialistas presentes à Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da companhia, convocada para discutir a reorganização societária, votaram a favor da conversão. Esses preferencialistas precisarão confirmar o voto trocando as ações PN por ON até 11 de agosto, prazo final fixado para a conversão.


A companhia precisa que outras 150 milhões de ações preferenciais, cerca de 20% de um total de cerca de 700 milhões de PNs que não estiveram presentes ou se abstiveram na AGE, também votem a favor da conversão.


Esse é o número necessário para que a operação atinja uma adesão mínima de 54,09% dos preferencialistas e, como resultado, os atuais controladores fiquem com menos de 50% das ações ordinárias da companhia.


"Se tiver sucesso, a operação assegura que daqui a três anos a Vale terá um controle difuso [sem bloco de controle]. Esse é o objetivo primordial da operação", disse Siani. Segundo ele, a migração para o Novo Mercado é uma possibilidade que passa a existir com a operação, mas não é condição para o sucesso da transação.


O problema, de acordo com analistas, é que é impossível a Vale conseguir a adesão de 100% dos preferencialistas à operação. Se o percentual de adesão dos preferencialistas for menor do que 100%, a empresa continuará a ter duas classes de ações (ON e PN) e, portanto, não vai migrar para o Novo Mercado, segmento em que estão listadas companhias que detêm somente ações ordinárias (com direito a voto).


A Vale não tem plano "B" para depois de 11 de agosto, o que significa que não há indicação de que, após esse período, a empresa possa alterar as condições fixadas na troca de ações para atrair os investidores dissidentes.


Siani e executivos da área de relações com investidores da Vale também farão viagens ao exterior, sobretudo Estados Unidos e Inglaterra, para conversar com os acionistas estrangeiros da companhia. Siani disse que a ideia é agradecer o apoio "maciço" que eles deram à operação.


Mas também deverá haver conversas com fundos que votaram contra a operação. Entre eles, estão fundos da Capital Group, o maior dono de ações preferenciais da Vale. "Nossa obrigação é tentar trazer todos os acionistas para a operação, tantos quanto for possível", disse Siani.

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