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Clima pesado na política ofusca notícias corporativas e bolsa cai

A bolsa de valores brasileira registra leve queda no início da tarde desta quarta-feira (5), com a tensão acerca da crise política se sobrepondo a algumas boas notícias corporativas.


No mais recente capítulo das turbulências institucionais enfrentadas pelo país, o deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ) foi apontado ontem (4) como relator na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). A escolha não foi vista com bons olhos pelo Planalto.


A Eletrobras tem o melhor desempenho do Índice Bovespa, o mais importante do mercado local, após notícias de que a estatal pode privatizar usinas e subsidiárias como a Chesf e Furnas: às 13h35, a ação ON subia 7,35% e a PNB 5,97%.


Na sequência das maiores altas do horário estão TIM ON (+2,33%), Natura ON (+2,11%) e Embraer ON (+1,97%).


O Ibovespa recuava 0,18%, para 63.114 pontos, às 13h41.


Entre as maiores quedas do pregão, destaca-se a Vale, cujo papel ON recuava 1,92%, enquanto o preferencial perdia 1,64%.


A Petrobras também contribui para segurar a bolsa. Sua ação ON recuava 1,58%, acompanhando a baixa do petróleo no mercado internacional. Em Londres, o combustível tipo Brent recuava 0,93%, para US$ 49,15 o barril com entrega em setembro, depois de a Rússia se manifestar contra o aprofundamento dos cortes de produção pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).


Outras quedas expressivas do Ibovespa no horário são MRV ON (-1,78%) e Ecorodovias ON (-1,53%).


Câmbio


A aversão ao risco nos principais mercados emergentes ampara a alta do dólar ante o real nessa quarta-feira. A divisa americana sobe 0,07% a R$ 3,3104, diante da firme queda do petróleo e da espera pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed). No entanto, o ritmo de desvalorização do real é bem mais ameno que o recuo dos pares, que encabeçam a lista dos piores desempenhos diários entre as moedas globais.


O movimento doméstico é limitado pela melhora da perspectiva sobre a aprovação da reforma trabalhista. O Senado aprovou o requerimento de urgência para a tramitação da medida, pelo placar de 46 a 19. Em tese, a medida já poderia ser votada amanhã (6) no plenário do Senado. Entretanto, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que a votação só deve ocorrer na terça-feira, dia 11.


"A votação foi expressiva e o placar mostrou apoio além do necessário. Isso traz algum otimismo sobre aprovação da reforma trabalhista", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe no Banco Mizuho do Brasil.


O cenário político, entretanto, ainda demanda cautela. A escolha de Zveiter para o cargo de relator da denúncia contra Temer ainda traz dúvidas. Zveiter é considerado um perfil independente, que não tem cargos no governo federal.


"Não foi ruim [a escolha na CCJ], mas não foi como Temer gostaria", diz o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior.


Por volta das 13h50, o dólar comercial sobe 0,39%, a R$ 3,3216, tendo marcado máxima em R$ 3,3307.O contrato futuro para agosto, por sua vez, marca R$ 3,3325, em alta de 0,12%.


Juros


Os juros futuros operam bem próximos da estabilidade nesta quarta-feira. Os vencimentos mais curtos têm algum viés de baixa, enquanto a direção é pouco clara nos trechos mais longos. O ambiente externo se mostra desfavorável para emergentes, com queda do petróleo e alta firme do dólar. Por aqui, ainda prevalece o sentimento de cautela, com percepção de risco ainda elevada no mercado, por causa das incertezas com a política.


No entanto, os agentes financeiros trabalham com uma perspectiva melhor para a reforma trabalhista.


"O número de votos mostrou que o governo e agenda de reforma ainda têm força no plenário do Senado", diz um profissional de renda fixa. Ele destaca alguma pressão de queda nos juros longos, apesar do ambiente desfavorável para emergentes no exterior. O profissional alerta, entretanto, que a percepção de risco segue elevada em meio aos constantes riscos ao governo, como a denúncia da Procuradoria Geral da República contra Michel Temer. "O nível das taxas têm caído, mas a inclinação segue elevada", destaca.


Contribui para o movimento a leitura de que ainda há espaço para corte adicionais da taxa Selic. Alguns profissionais de mercado chamam atenção para a coluna de Cristiano Romero, no Valor. O texto destaca que o Copom tem todas as condições para aumentar, na reunião do dia 26 de julho, o ritmo de queda da taxa Selic e ir além das previsões que a colocavam, ao fim do processo de alívio monetário, em torno de 8,5% ao ano. Entre os trechos de destaque está a fala de um integrante da equipe econômica à coluna: "Isso [os fundamentos da economia] dá estabilidade suficiente para o BC agir segundo o manual. Além disso, com a inflação derretendo, ele vai agir como deve".


Por volta das 12h30, o DI janeiro/2018 cai a 8,805%, de 8,835% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 8,760%, ante 8,800%. Já o DI janeiro/2021 opera a 10,000%, mesma marca da véspera.

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