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Ibovespa fecha em queda com recuo das commodities

Nos últimos dias, o movimento do mercado de ações tem sido definido pelas notícias corporativas e pelos fluxos pontuais de compras ou vendas de ações. Sem definições políticas, as transações ficam concentradas no giro diário. Foi essa dinâmica que prevaleceu no pregão de hoje e fez o Ibovespa fechar com queda de 0,12% aos 63.154 pontos e giro financeiro, de R$ 6,8 bilhões. "O mercado não sabe o que fazer, está em cima do muro, enquanto isso concentra as operações no giro diário", diz Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H.Commor DTVM.


De acordo com operadores, algumas corretoras estrangeiras intensificaram a venda de ações da Vale e da Petrobras, seguindo a queda do preço das commodities no mercado internacional. As ações preferenciais classe A da Vale recuaram 1,57% e os papéis ordinários tiveram baixa de 2,33%.


O preço do minério de ferro na China fechou praticamente estável com leve alta de 0,1%, no porto de Qingdao, a US$ 63,28 a tonelada. Mas dados econômicos da China mostraram uma expansão da economia em um ritmo mais lento. A atividade no setor de serviços recuou para 51,6 em junho, ante 52,8 em maio, o segundo nível mais baixo em 13 meses, segundo dados do Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).


As ações ordinárias da Petrobras recuaram 1,95% e os papéis preferenciais tiveram baixa de 1,77%. Os contratos futuros de petróleo WTI com vencimento em agosto caíram 4,1% para US$ 45,13 o barril, com receios dos investidores sobre o acordo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).


A Saudi Aramco, gigante estatal de petróleo da Arábia Saudita, anunciou que cortará os seus preços para a Ásia em agosto, por causa da competição de outros membros da Opep. A notícia aumentou o receio dos investidores em relação à efetividade do acordo com a Opep para cortar a produção em 1,8 milhão de barris para dar suporte aos preços.


Já as ações ordinárias da Eletrobras subiram 7,75% e os papéis preferenciais da classe B tiveram alta de 6,58% com a notícia de que o governo estuda a venda de usinas hidrelétricas antigas da Eletrobras, já amortizadas, e que tiveram a concessão renovada pela Medida Provisória 579/2012. A proposta não prevê a venda das principais subsidiárias integrais da Eletrobras, como Chesf e Furnas.


Do lado político, a notícia positiva para o mercado financeiro é que o Senado aprovou o requerimento de urgência para a tramitação da reforma trabalhista. O placar foi de 46 a 19. O líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a votação deve ocorrer na próxima terça-feira. "O dia foi de poucos negócios e a perspectiva de votação da reforma trabalhista já era esperada", diz Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.


Por outro lado, a notícia menos positiva foi de que o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) foi escolhido como relator da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O deputado se declara independente, o que aumenta o questionamento sobre a proximidade com o governo. "O mercado esperava um nome melhor", diz Pereira.


No meio da tarde, o Fed, banco central dos Estados Unidos, divulgou a ata da última reunião, que decidiu pela elevação dos juros para o intervalo entre 1% e 1,25% ao ano. O mercado de ações não reagiu à divulgação do documento que mostrou que seus integrantes estão divididos em relação ao início do processo de enxugamento do balanço, que está em US$ 4,5 trilhões. Também houve divisão sobre o atual patamar da taxa de desemprego. A ata também mostrou que o Fed está confiante que a inflação vai se recuperar mesmo após a leitura de dados mais fracos.

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