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Juro futuro fecha em queda, com aposta de investidor em queda da Selic

Os juros futuros mostraram viés de queda nesta quarta-feira, navegando na "tranquilidade" do câmbio num dia em que os mercados domésticos têm desempenho melhor que os pares emergentes.Operadores dizem que o cenário preponderante segue inflação benigna, o que garantiria ao Banco Central espaço não só para continuar a cortar os juros como também para eventualmente manter o ritmo de distensão monetária.


Em maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 1 ponto percentual, para 10,25% ao ano. O comunicado da decisão conduziu o mercado para apostas de desaceleração do ritmo, mas as comunicações oficiais posteriores recolocaram à mesa chances de manutenção da velocidade do afrouxamento.


Em sintonia com essa avaliação, o BNP Paribas decidiu estender recomendação de venda de DI janeiro/2019, após a taxa ter atingido hoje a "meta" de 8,75%. O novo alvo da estratégia do banco é 8,50% - valor "justo" de curto prazo calculado a partir de modelos. "O risco/retorno continua positivo, em nossa avaliação", afirma a equipe de estratégia de renda fixa e câmbio do BNP na América Latina, chefiada por Gabriel Gersztein.


Para o BNP, classificar a incerteza política como um fator de influência sobre os DIs mais curtos pode ser "inadequado", "ainda mais" quando se leva em conta a projeção oficial do banco, de Selic a 7% ao fim do ciclo.


O noticiário no campo político nesta quarta-feira foi misto. De um lado, o governo conseguiu ontem aprovação, no plenário do Senado Federal, de urgência para a reforma trabalhista. A margem de votos foi de 46 a 4, vista como um bom indicativo de que o governo ainda é capaz de negociar as reformas econômicas. A expectativa é que a votação do projeto ocorra na próxima semana.


Por outro lado, o governo sofreu derrota ao não conseguir impedir o adiamento da reoneração da folha de pagamentos. O líder do governo no Congresso Nacional, deputado André Moura (PSC-SE), disse ao Valor que se tratou de um "recuo estratégico".


Além disso, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) foi escolhido como relator da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. Zveiter destacou em algumas oportunidades ser "independente", o que levou a questionamentos sobre seu grau de proximidade com o governo.


"Ainda acho que o mercado está muito leniente com tudo que está acontecendo", diz o gestor de uma asset no Rio. Ele afirma haver "pouco a comemorar" do lado da reforma trabalhista, uma vez que essa deveria ser a tarefa "mais fácil" do governo até o momento. "E sequer voltamos a falar da reforma da Previdência", lamenta.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 cedia a 8,760% (8,800% no último ajuste).O DI janeiro/2021 recuava a 9,990% (10,000% no ajuste de ontem).E o DI janeiro/2023 cedia a 10,490% (10,510% no ajuste anterior).

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