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Ibovespa segue movimento no exterior e cai, mas Eletrobras sobe

A falta de visibilidade política tem restringido os negócios no mercado de ações. Hoje, o preço dos ativos não reagiu à possibilidade de que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, assuma a Presidência da República. Essa hipótese ganhou força com a percepção de que a Câmara não estaria tão favorável à rejeição da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Os investidores consideram que a manutenção da equipe econômica é mais importante do que quem estará à frente do comando do país.


"O mercado está sem tendência e em cima do muro. Se por acaso houver uma melhora nas expectativas, como a aprovação da reforma trabalhista, os preços podem subir", diz o economista Álvaro Bandeira, da Modalmais. O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 1,08% aos 62.470 pontos e o giro financeiro ficou em R$ 5,4 bilhões. Segundo operadores, o desempenho da bolsa, hoje, seguiu a queda dos principais índices americanos. "O mercado está travado, apenas com transações de giro diário", diz Bandeira.


O estrategista da XP Investimentos, Celson Plácido, considera que o mercado começou a considerar a ida de Maia para a Presidência, já que a situação de Temer piorou nos últimos dias. "Mas essa possibilidade ainda não está nos preços dos ativos. A volatilidade diminuiu muito nos últimos dias assim como o volume de negócios, o que demonstra que, do jeito que está, não há muita coisa para acontecer no curto prazo, ainda mais com recesso no Congresso", diz.


O mercado também aguarda a possível delação premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que poderia atingir Temer. E a PGR pode apresentar mais duas denúncias contra o presidente. "A entrada de Maia na Presidência poderia trazer volatilidade ao mercado, pois sairíamos do cenário atual, onde estamos num processo de sobrevivência deste governo, para um processo de transição", diz Plácido.


O economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, diz que se Maia assumir a Presidência ele pode acelerar a aprovação das reformas. "Se isso acontecer, ele pode conduzir as reformas de maneira mais eficiente porque está mais alinhado com o Congresso", diz. Para ele, o Congresso ficou fragmentado após a divulgação do áudio entre o presidente Temer e o executivo Joesley Batista, em 17 de maio. "Se Maia assume, ele teria uma base aliada mais coesa, como era até a metade de maio, o que facilitaria a aprovação das reformas", diz.


Mas a ida de Maia para a Presidência não é consenso entre os investidores. "Devido à dificuldade jurídica, o mercado não considera alta a probabilidade de Rodrigo Maia assumir a Presidência. Como consequência, essa possibilidade não está no preço dos ativos", diz Pablo Spyer, diretor da Mirae Corretora. Um gestor de ações do Rio de Janeiro lembra que Maia é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) resultantes das colaborações premiadas de ex-executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato.


Em meio à especulação política, o Ibovespa seguiu as bolsas americanas e fechou em queda. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 0,94%, o Nasdaq teve baixa de 1% e o Dow Jones caiu 0,74%. Como mais de 50% dos investidores da bolsa brasileira são estrangeiros - principalmente americanos -, a venda de ações lá acabou contaminando o Ibovespa aqui. Diante das altas recordes das bolsas americanas, os investidores venderam ações para realizar lucros. Os investidores estão receosos com a evolução da política monetária global, já que os principais bancos centrais mundiais sinalizaram o enxugamento da liquidez global.


Aqui, as ações que mais caíram foram as do setor bancário. As ações do Itaú Unibanco recuaram 1,40%, os papéis do Santander tiveram baixa de 1,61%, as ações ordinárias do Bradesco tiveram queda de 1,98%, os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 1,45% e o Banco do Brasil caiu 0,66%.


De acordo com operadores, uma das razões para a queda dos papéis, além do fato de serem líquidos, é o fato de que as Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), que atuam nas áreas Criminal, Consumidor e Ordem Econômica e Combate à Corrupção, se manifestaram contra a aprovação da Medida Provisória sobre o acordo de leniência do sistema financeiro. Em nota, o Banco Central (BC) afirmou que "o MPF e o BC estão comprometidos com a análise dos argumentos técnicos e jurídicos trazidos por ambos ao debate e com a construção de uma proposta que aprimore o novo marco legal, em especial para preservar os avanços", informou o BC.


Entre os papéis do setor de commodities, as ações preferenciais da Vale tiveram leve alta de 0,30% e as ações ordinárias caíram 0,03%. O preço do minério de ferro caiu 2,1% em Qingdao, na China, para US$ 61,96 a tonelada. Os papéis da Petrobras também fecharam em baixa, apesar da alta do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais caíram 0,33% e os papéis ordinários tiveram baixa de 1%.


Na ponta oposta, as maiores altas do dia ficaram com os papéis da Eletrobras. As ações ordinárias subiram 16,14% e os papéis preferenciais da classe B tiveram alta de 10,45%. O Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública medidas para reformular o setor das companhias elétricas. Entre as propostas está a privatização de usinas hidrelétricas operadas pela Eletrobras, que pode render até R$ 53 bilhões.


06/07/2017 17:20:33

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