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Poupança tem captação em junho, mas saques no semestre somam R$ 12 bi

A caderneta de poupança marcou o segundo mês consecutivo com captação líquida de recursos. De acordo como Banco Central (BC), os ingressos líquidos somaram R$ 6,089 bilhões em junho, após entrada de R$ 292,6 milhões em maio. Esse é o melhor resultado para o mês desde 2013, quando ingressaram R$ 9,451 bilhões.


No ano, os saques superaram os depósitos em R$ 12,290 bilhões, contra R$ 42,606 bilhões em igual período do ano passado. Em junho de 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 3,718 bilhões. Em 12 meses até junho, os saques são de R$ 10,386 bilhões, recuando dos R$ 20,193 bilhões nos 12 meses até maio.


O resultado de junho foi impulsionado no último dia útil do mês, que mostrou captação de R$ 3,638 bilhões, pois até o dia 29 as entradas líquidas somavam R$ 2,450 bilhões.


Em 2016, a poupança encerrou com saque de R$ 40,701 bilhões, vindo de uma perda líquida de R$ 53,567 bilhões em 2015. Em 2014, a poupança tinha registrado captação de R$ 24,034 bilhões, após o recorde de R$ 71,047 bilhões de 2013.


O desempenho da poupança continua sendo afetado pelo menor crescimento da renda do trabalhador e aumento do desemprego. Mas esses vetores são contrabalanceados pela queda da Selic, que está em 10,25% e deve recuar mais, deixando alguns investimentos em renda fixa, a depender de taxas cobradas e tributação, menos atrativos que o rendimento oferecido pela caderneta, que conta com isenção de Imposto de Renda.


Os números captam alguma influência da liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Já foram entregues aos trabalhadores mais de R$ 38 bilhões das contas inativas desde março. Agora em julho, outros R$ 3,5 bilhões poderão ser sacados.


A captação líquida do mês se soma ao rendimento de R$ 3,750 bilhões, elevando o patrimônio total da poupança de R$ 665,507 bilhões em maio para R$ 675,347 bilhões no mês passado, novo recorde da série iniciada em 1995. Com isso, a poupança passa a registrar aumento de patrimônio de R$ 10,355 bilhões em 2017. Em 2016, o patrimônio aumentou em R$ 8,4 bilhões, após ter caído R$ 6,137 bilhões em 2015.


Em junho, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário mostraram captação líquida de R$ 4,871 bilhões (SBPE). E as instituições que destinam os recursos para o crédito rural registram entrada líquida de R$ 1,217 bilhão (SBPR).


A poupança é o principal instrumento para o financiamento do crédito imobiliário. Desde 2015, o BC e governo tomaram medidas para assegurar recursos ao segmento, como alteração nas regras de depósitos compulsórios e uso do FGTS para compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A última ação nesse sentido foi tomada no fim de maio, com o início das tratativas para regulamentar a Letra Imobiliária Garantida (LIG).


Desde o fim de agosto de 2013, a poupança voltou a ser remunerada pela "fórmula antiga" de 0,5% ao mês mais TR. Pela regra atual, se a Selic voltar abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento será equivalente a 70% da taxa básica de juros. Por ora, o mercado trabalha com Selic de 8,5% no fim de 2017.

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