Ibovespa sobe com balanços e Wall Street; dólar opera estável

Uma série de boas notícias do lado corporativo e também macroeconômico movimentaram a bolsa nesta terça-feira. Mas foi a disparada das bolsas americanas que deu força adicional para o índice consolidar-se acima dos 66 mil, o que não acontecia desde a deflagração da crise política, em meados de maio.


Às 13h40, o Ibovespa acelerava os ganhos e subia 0,80%, para 66.446 pontos, perto da máxima do dia. No exterior, as bolsas americanas ganham tração no começo da tarde, movimento que reforça os ganhos do Ibovespa. Nesta tarde, o Dow Jones renovava a máxima intradia recorde, a 21.900 pontos.


Ao longo da manhã, o comportamento do índice foi bastante alinhado com os sinais da economia, que também confirmam uma trajetória de recuperação, mas muito lenta e gradual. É o que confirmam hoje os dados da produção industrial, que mostraram estabilidade em junho, enquanto analistas projetavam queda de 0,3%.


Ainda do lado macro, a ata do Copom foi também uma boa notícia porque reforçou a aposta num corte de juros mais rápido e profundo, o que provocou uma queda adicional dos juros futuros nesta manhã. Esse movimento beneficia diretamente o mercado de ações como um todo, mas mais diretamente papéis que têm relação mais direta com o desempenho do PIB ou que tendem a ter ganhos financeiros mais elevados com esse corte de juros. Mas vale observar que muito dessa queda já vinha sendo antecipada, limitando, assim, a resposta dos preços.


Isso fica claro quando se vê o desempenho de algumas empresas apontadas pelos analistas como as que têm grande influência dos juros. É o caso de Ecorodovias, que acumula um ganho de 30,96% no ano, mas cede 1,22% hoje. Também Rumo, que ganha 67,29% no ano e perde 0,68% hoje; Cemig (13% de alta no ano e perda de 0,57% hoje); e Bradesco ON (15,33% e -0,17%, respectivamente).


Essa percepção de recuperação da atividade também se refletiu em alguns dos balanços apresentados hoje. O mercado comemorou o forte crescimento do lucro da Magazine Luíza, de 600% para R$ 72,3 milhões. O papel subia às 13h16 2,76%.


Já o Itaú Unibanco, outro destaque de alta, registrou lucro recorrente de R$ 6,2 bilhões. Um ponto bastante favorável do resultado foi a queda de 0,2 ponto percentual da inadimplência, variável que vem sendo acompanhada atentamente pelos analistas por ser considerada condição fundamental para a evolução do crédito e do resultado das instituições financeiras. Há pouco, Itaú Uniibanco subia 3,31%.


Mas a estrela da manhã foi Suzano ON, que migrou para o novo mercado, num movimento considerado surpreendente pelos analistas. A operação prevê a conversão de todas as ações preferenciais para ordinárias na proporção 1 para 1. Em resposta, o papel da empresa lidera de longe os ganhos da bolsa, com valorização de 8,20% para R$ 15,17.


"É um movimento sustentável porque essa proporção de 1 para 1 é bastante favorável", afirma o gestor de um fundo paulista.


Na esteira do movimento, Fibria ON é a segunda maior alta (2,81%). Segundo informou o Valor hoje, a companhia entregará proposta pela Eldorado ainda nesta semana.


Dólar


O dólar volta a operar próximo da estabilidade no início da tarde desta terça-feira. Mais cedo, a moeda testou o nível de R$ 3,10, ao estender a trajetória de baixa do último mês. O cenário externo favorece a movimentação no câmbio, de acordo com profissionais de mercado. A leitura é de que economias importantes, como a China e a Europa, dão sinais de crescimento mais sólido enquanto a expansão americana justifica um aperto monetário apenas gradual.


Por aqui, os agentes financeiros aguardam a votação na Câmara da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer em meio à baixa percepção de risco sobre uma possível ruptura do cenário.


"O conjunto recente de indicadores sugere que a China e a Europa apoiam um crescimento global melhor que o esperado, contribuindo para economias emergentes", diz o estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno. "Enquanto isso, os sinais são de que a inflação nos EUA não deve acelerar, mantendo o gradualismo no aperto monetário americano. Assim, a expectativa é de que liquidez internacional siga ampla", acrescenta o especialista.


Rostagno aponta, entretanto, que a moeda brasileira tem registrado uma sequência de baixas nas últimas semanas, "limitando o espaço para novos ganhos". Dito isso, ele destaca que a semana reserva dados importantes da economia dos EUA, como o relatório de empregos (payroll) na sexta-feira, que deve movimentar os ativos globais.


Hoje, o dólar comercial caiu até a mínima de R$ 3,1076, valor mais baixo desde a sessão de 17 de maio quando tocou R$ 3,0960. Com isso, a moeda retomou o patamar anterior à divulgação das conversas entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista.


Por volta das 13h40, o dólar comercial marcava R$ 3,1186, em alta de 0,01%, enquanto o peso mexicano e a lira turca registravam leves perdas.


Juros


O mercado de renda fixa se movimenta nesta terça-feira com nova rodada de ajustes nas apostas para a trajetória da Selic. A ata da última reunião do Copom reiterou a mensagem de que há espaço para cortes adicionais da taxa, aliviando o receio de que o documento amenizaria uma percepção mais favorável à queda da taxa. Com isso, foi aberto o caminho para a queda dos juros futuros, principalmente em trechos curtos e intermediários, que testam novas mínimas.


ODI janeiro/2018 caía a 8,230%, de 8,265% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recuava a 8,050%, de 8,100%. Nas mínimas, os ativos tocaram 8,185% e 8,020%, respectivamente.O DI janeiro/2021, por sua vez, marcava 9,280%, estável na mesma base de comparação, enquanto o dólar comercial marca R$ 3,1151, em queda de 0,10%.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos