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Juros futuros recuam com expectativa da realização de reformas

As taxas de juros tornaram a cair nesta quinta-feira, dia seguinte à decisão da Câmara dos Deputados de dar sobrevida ao presidente Michel Temer. No mercado, investidores reconhecem que o placar não correspondeu às expectativas mais otimistas. Foram 263 a favor de Temer, ante 227 para levar adiante a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, circulavam números como 270, 280 e até 300 votos em prol do governo.


Mas, por outro lado, o resultado ficou acima do patamar de 250 tido como mínimo aceitável pelos governistas. Além disso, a expectativa de mais votos de partidos como PSDB gera a sensação de que a reforma da Previdência conta com mais apoio que o indicado pela votação de ontem.


"No fim das contas, aumentou a chance de a reforma da Previdência passar. E isso é o que entra na conta do mercado", diz o estrategista de renda fixa da Renascença, Pedro Barbosa. Para ele, o fato de a votação ter ocorrido sem muitos protestos ou tumultos nas ruas do país indica que a população, embora não apoie o presidente Temer, "não vê outra alternativa" a não ser permitir a continuidade da atual diretriz de política macroeconômica, ainda que a materialização das reformas leve mais tempo para ser vista.


O Crédit Agricole vê o placar da votação como um indicativo de que Temer ainda possui governabilidade. Dessa forma, entende ser possível contar com a aprovação de alguma medida provisória de alívio às contas públicas - talvez até mesmo de uma reforma da Previdência mais enxuta. A casa entende que, apesar de o placar a favor do presidente não ter ficado no topo das estimativas, fica a percepção de que o governo não enfrenta a situação de paralisia que marcou a era Dilma/Levy (ex-ministro da Fazenda).


"Para o mercado, o que fica é a ideia de que um governo de boas intenções econômicas conseguiu sobreviver. E isso sugere que os próximos dez meses 'úteis' de governo possam trazer novos avanços nas contas públicas", diz Italo Lombardi, estrategista sênior de mercados emergentes do Crédit Agricole.


O tema fiscal, porém, ainda pode gerar algum ruído de curto prazo, especialmente envolvendo a possibilidade de revisão da meta de déficit primário deste ano - por ora em R$ 139 bilhões.


A XP Investimentos considera que o governo precisa afagar tanto o PSDB quanto outros membros da base aliada insatisfeitos com a postura dos tucanos. Assim, é provável que Temer tenha de aceitar um rombo maior nas contas públicas deste ano. "A alteração da meta fiscal, do ponto de vista político, pode servir como instrumento para facilitar acordos firmados pelo presidente para obtenção de votos", considera a XP.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 caía para 9,740% (9,810% no ajuste anterior). O DI janeiro/2021 recuava a 9,170% (9,230% no ajuste de ontem). E o DI janeiro/2019 cedia a 7,980% (8,020% no último ajuste).

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