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Depósitos superam saques da poupança pelo terceiro mês em julho

A caderneta de poupança marcou o terceiro mês consecutivo com captação líquida de recursos. De acordo como Banco Central (BC), os ingressos líquidos somaram R$ 2,335 bilhões em julho, após entrada de R$ 6,089 bilhões em junho. Esse é o melhor resultado para o mês desde de 2014, quando o ingresso somou R$ 4,028 bilhões. Também é a primeira vez desde 2014 que a poupança tem três meses seguidos de captação.


No ano, os saques ainda superaram os depósitos em R$ 9,954 bilhões, contra R$ 43,721 bilhões em igual período do ano passado. Em julho de 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 1,115 bilhão. Em 12 meses até julho, os saques são de R$ 6,935 bilhões, recuando dos R$ 10,386 bilhões nos 12 meses até junho.


O resultado de julho ganhou fôlego no último dia útil do mês, que mostrou captação de R$ 1,298 bilhão, pois até o dia 28 as entradas líquidas somavam R$ 1,036 bilhão. Em 2016, a poupança encerrou com saque de R$ 40,701 bilhões, vindo de uma perda líquida de R$ 53,567 bilhões em 2015. Em 2014, a poupança tinha registrado captação de R$ 24,034 bilhões, após o recorde de R$ 71,047 bilhões de 2013.


O desempenho da poupança mostra breve recuperação apesar do desemprego ainda elevado. Mas a queda da inflação tem promovido uma elevação do ganho real do trabalhador. Outro vetor que influencia a caderneta é a queda da Selic, que está em 9,25% ao ano e deve recuar mais, deixando alguns investimentos em renda fixa, a depender de taxas cobradas e tributação, menos atrativos que o rendimento oferecido pela caderneta, que conta com isenção de Imposto de Renda.


Os números também captam alguma influência da liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Já foram entregues aos trabalhadores mais de R$ 42 bilhões das contas inativas desde março.


A captação líquida do mês se soma ao rendimento de R$ 3,526 bilhões, elevando o patrimônio total da poupança de R$ 675,347 bilhões em junho para R$ 681,209 bilhões no mês passado, novo recorde da série iniciada em 1995. Com isso, a poupança passa a registrar aumento de patrimônio de R$ 16,217 bilhões em 2017. Em 2016, o patrimônio aumentou em R$ 8,4 bilhões, após ter caído R$ 6,137 bilhões em 2015.


Em julho, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário mostraram captação líquida de R$ 1,103 bilhão (SBPE). E as instituições que destinam os recursos para o crédito rural registram entrada líquida de R$ 1,231 bilhão (SBPR).


A poupança é o principal instrumento para o financiamento do crédito imobiliário. Desde 2015, o BC e governo tomaram medidas para assegurar recursos ao segmento, como alteração nas regras de depósitos compulsórios e uso do FGTS para compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A última ação nesse sentido foi tomada no fim de maio, com o início das tratativas para regulamentar a Letra Imobiliária Garantida (LIG).


Desde o fim de agosto de 2013, a poupança voltou a ser remunerada pela "fórmula antiga" de 0,5% ao mês mais TR. Pela regra atual, se a Selic voltar abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento será equivalente a 70% da taxa básica de juros. Por ora, o mercado trabalha com Selic de 8,5% no fim de 2017.

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