PF enumera delatores que não auxiliaram em investigação contra Palocci

Em relatório enviado ao juiz federal Sergio Moro, a Polícia Federal (PF) em Curitiba elencou três delatores que não auxiliaram investigações relacionadas à suposta solicitação de propina da Petrobras pelo ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos do PT, Antonio Palocci - réu em duas ações penais na Justiça Federal do Paraná.


O relatório trata de inquérito policial que tramita há cerca de dois anos. Segundo a PF, três delatores que ganharam benefícios "em nada auxiliaram os trabalhos investigativos".


Os delatores apontados pela PF no relatório são o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa e o lobista e operador de propina na área Internacional da estatal, Fernando Soares, o "Baiano". Os três firmaram delações premiadas que ajudaram a elucidar o esquema de corrupção descoberto na Petrobras. No entanto, na avaliação da PF, as colaborações deles em nada ajudaram neste inquérito de Palocci.


"Diversas acareações foram realizadas e ainda assim mantiveram-se as diversas contradições entre os depoimentos dos criminosos colaboradores. Diligências junto a hotéis e companhias aéreas também foram feitas. No entanto, nãoconsubstanciaram elementos probatórios aptos a corroborar qualquer das três diferentes versões apresentadas pelos três criminosos colaboradores ouvidos nestes autos", afirma a PF no documento, também enviado à força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que atua na Lava-Jato em Curitiba.


"Não se vislumbra, depois de diversas diligências e colheita de declarações, medidas investigativas úteis a comprovar a hipótese investigativa que originou este inquérito. As mesmas diligências tampouco comprovaram as demais hipóteses investigativas que passaram a ser aceitas no apuratório", afirma o delegado Filipe Hille Pace no relatório produzido em 18 de abril, e só agora encaminhado ao juiz Moro e ao MPF.


Palocci está preso preventivamente desde setembro do ano passado e já foi condenado a 12 anos e 2 meses por corrupção e lavagem de dinheiro em ação penal pelo suposto favorecimento á Odebrecht em contratos para aluguel de navios-sonda utilizados pela Petrobras para exploração de petróleo em águas profundas.


De acordo com a PF, o inquérito instaurado em 2015 não tem qualquer relação com a empreiteira. Nesta investigação, Paulo Roberto Costa afirmou que teria recebido pedido de Youssef para liberar R$ 2 milhões da "cota" do Partido Progressista no esquema de corrupção instalado na petrolífera. Segundo a Lava-Jato, os bilhões desviados dos cofres da Petrobras teriam sido divididos por PT, PMDB e PP, partidos que integravam a base governista na época do suposto esquema.


No relatório, a PF diz que Youssef "refutou integralmente" a narrativa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.


O relatório evidencia a piora no relacionamento entre a PF e o MPF, que tem evitado que policiais participem das reuniões que envolvem as tratativas para o fechamento dos acordos de delação premiada da Lava-Jato.


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ação direta de inconstitucionalidade em que requer a exclusividade da negociação de acordos de delação a membros do Ministério Público.


O MPF argumenta que, como é o titular da propositura de ação penal, os acordos de delação premiada também só podem ser negociados pelo órgão.


Já a PF requer a participação nos acordos e alega que eles podem ser fechados exclusivamente com a polícia. A doleira Nelma Kodama e o publicitário Marcos Valério firmaram delação premiada com a PF.

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