PF critica "falha" do Ministério Público em delação de Odebrecht

A Polícia Federal (PF) em Curitiba criticou o Ministério Público Federal (MPF) por ter fechado acordo de delação premiada com Marcelo Odebrecht deixando de exigir que o empresário apresentasse a senha de acesso para um laptop considerado "importante fonte de prova" pelos investigadores da Lava-Jato.


Em manifestação feita em 3 de agosto no sistema judicial eletrônico de Curitiba, o MPF afirmou que a PF ainda não pode analisar material eletrônico apreendido em ação de busca e apreensão realizada na casa de Marcelo Odebrecht, incluindo o laptop pessoal do empresário, e exigiu que ele forneça o código de acesso ao aparelho.


Em manifestação nos autos do caso, feita em 7 de agosto, a delegada Renata Rodrigues afirmou que "o bloqueio do laptop e a impossibilidade de desbloqueá-lo foi situação que restou comunicada ao MPF por diversas vezes na negociação de seu acordo, e que inclusive talvez tenha sido mencionada em seus vídeos da colaboração".


A delegada também sugere que pode ter havido uma falha da Procuradoria-Geral da República (PGR), que negociou as delações dos 78 executivos da Odebrecht, por não ter exigido o desbloqueio do computador de Marcelo.


"Preocupante para as investigações que a obtenção de evidências contidas no laptop de Marcelo, e que teria sido por ele supostamente indicado à PGR como importante fonte de prova (contendo inclusive seus e-mails), não tenha sido exigida como condição sine qua non [condição sem a qual não] para qualquer acordo - de colaboração ou leniência, especialmente porquanto possa revelar novos fatos delitivos, ou mesmo contrariar fatos reportados pelos colaboradores (e que foram valorados para o oferecimento de benefícios)", critica a delegada Renata Rodrigues.


O relacionamento entre delegados e procuradores da República é cada vez pior na força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. Na opinião de policiais ouvidos pela reportagem, a PF foi alijada das investigações pelo MPF. Delegados se ressentem do fato de terem sido proibidos de participar das reuniões e rodadas de negociações com advogados e réus que antecedem o fechamento dos acordos de delação premiada. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pleiteando a exclusividade do Ministério Público para firmar acordos de delação.


Outra crítica feita por investigadores da PF, em reservado, é que, desde que policiais deixaram de participar das negociações para delações, a qualidade dos indícios de corroboração cedidos pelos colaboradores teria diminuído. O MPF não estaria priorizando a apuração de fatos narrados pelos delatores, o que teria enfraquecido a qualidade das informações. Oficialmente nem MPF nem PF se manifestam sobre a falta de entendimento entre os órgãos.

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