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Ibovespa não consegue sustentar os 69 mil pontos e fecha em queda

Em um dia de fraco volume financeiro, o Ibovespa não teve forças para sustentar o patamar dos 69 mil pontos. O índice chegou a atingir o nível máximo de 69.068 pontos pela manhã - o maior patamar intradia desde 23 de fevereiro -, mas encerrou o pregão aos 68.635 pontos, com leve queda de 0,12%. O giro financeiro ficou em R$ 5,1 bilhões, abaixo da média diária do mês, que está em R$ 5,9 bilhões.


De acordo com profissionais, o Ibovespa deve enfrentar resistência para superar o patamar dos 69 mil pontos. Um dos fatores que restringe o movimento de alta é a dificuldade do governo em aprovar a Medida Provisória 777, que cria a TLP (Taxa de Longo Prazo), que substituirá a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e acabará com o subsídio do governo ao setor privado. A medida precisa de maioria simples para ser votada, mas o governo não tem conseguido quórum para a leitura do documento.


Outro fator de apreensão entre os investidores é a suspensão do leilão de quatro usinas da Cemig, que renderiam R$ 11,055 bilhões ao governo na forma de cobrança de bônus de outorga dos vencedores da disputa. O leilão das usinas Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande estava programado para 27 de setembro. "Há ainda a questão da MP do Refis, que pode entrar em nova rota de colisão entre a equipe econômica e a ala política após divergências com o relator da matéria e que tendem a comprometer a arrecadação potencial deste novo Refis", diz Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos


No cenário externo, a complicada situação do governo dos Estados Unidos também não anima os investidores. O presidente Donald Trump tem poucas chances de sucesso na aprovação da reforma fiscal e tributária que foi prometida em campanha. Outro ponto de interrogação é a proximidade da reunião de Jackson Hole, com encontro dos principais representantes dos Bancos Centrais.


Do lado positivo para o Ibovespa, pesa a dinâmica positiva do preço das commodities. Além disso, o excesso de liquidez internacional favorece os investimentos na bolsa de valores. Neste mês, até o dia 17, os estrangeiros já aplicaram R$ 1,97 bilhão na bolsa de valores. No ano, o saldo é positivo em R$ 9,89 bilhões.


Já a análise gráfica mostra que o Ibovespa pode testar novos patamares de alta a partir da próxima semana. De acordo com Danilo Zanini, analista gráfico da XP Investimento, depois de subir nas últimas quatro semanas, é provável que o índice passe por alguma correção nesta semana, operando perto da estabilidade. "Mas é possível que na próxima semana o índice volte a subir. Nesse caso, poderia superar os 69 mil pontos e buscar a região de 73 ou 74 mil pontos" diz. Mesmo assim, Zanini considera que a região dos 69 mil pontos é um forte ponto de resistência. "Esse patamar pode ser um grande obstáculo para o índice", diz.


As principais "blue chips" do Ibovespa fecharam com comportamentos distintos. De um lado, as ações da Vale subiram acompanhando a alta do preço do minério de ferro no mercado internacional. Do outro, os papéis da Petrobras caíram seguindo a desvalorização do preço do petróleo. As ações que tiveram as maiores altas foram as do setor de celulose.


Os papéis ordinários da Fibria subiram 4,20% e as ações da Suzano Papel e Celulose ganharam 3,64%. Alguns fatores contribuem para a alta dos papéis. As perspectivas favoráveis para os preços da celulose juntamente com a possibilidade de uma fusão entre Suzano e Fibria são alguns deles.


As ações PNA da Vale - que já deixaram o Ibovespa devido à migração de ações - subiram 0,65% e as ações ordinárias ganharam 0,63%. Já as ações PN da Petrobras recuaram 1,91% e os papéis ordinários tiveram baixa de 1,71%. As ações do sistema financeiro caíram e a maior baixa ficou com os papéis ordinários do Bradesco, que recuaram 1,12%. Já as ações do Banco do Brasil tiveram ganho de 1,31%.


Hoje houve o exercício de contratos de opções sobre ações, que movimentou R$ 4,60 bilhões na B3. Deste total, R$ 3,8 bilhões foram em opções de compra e R$ 788,9 milhões em opções de venda.

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