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Após PIB, investidores calibram apostas para Selic

Faltando poucas sessões para a próxima decisão do Copom, as expectativas para os próximos passos da política monetária no Brasil voltaram a concentrar o "game" na renda fixa. Reflexo disso é que os trechos mais curtos da curva de DI, até janeiro de 2019, concentraram quase 70% do volume de negócios até o fim da sessão regular, às 16h. Esses são os vértices que denotam as apostas para a trajetória da Selic.


A visão majoritária é de que a taxa básica de juros será reduzida em 1 ponto percentual no anúncio do colegiado no dia 6 de setembro. O Valor entrevistou 43 economistas e todos esperam que a Selic vá para 8,25%. Para a maior parte dos especialistas, o juro deve, no mínimo, retomar ainda este ano o piso histórico, de 7,25% anuais, que foi registrado em outubro de 2012. Este é justamente o nível precificado pela curva de DI até esta sexta-feira.


Nesta sexta-feira, as leituras de que a taxa poderia recuar ainda mais foram contidas pelos sinais de recuperação econômica. Para o sócio da 4E Consultoria, Juan Jensen, o desempenho do PIB do segundo trimestre, divulgado mais cedo, não deve alterar o rumo da política monetária no curto prazo, mas pode esvaziar as expectativas mais otimistas que começaram a surgir, de uma Selic perto de 6% no fim do ciclo.


"Os dados de hoje são mais uma evidência de que o BC terá que desacelerar o ritmo de corte de juros e devem diminuir a visão que vinha crescendo de um juro em 6%", afirma. No curto prazo, diz, a inflação não deve mudar de trajetória, dado o alto grau de ociosidade da economia. "Há uma ociosidade enorme, o que autoriza um corte de juro a 7%."


O PIB cresceu 0,2% no segundo trimestre ante o primeiro, enquanto a média das estimativas colhidas pelo Valor apontava para estabilidade. O que chamou a atenção foi o avanço do consumo das famílias, de 1,4%, dado melhor do que boa parte dos analistas previa e que confirma o que o Banco Central já vem dizendo: a retomada da atividade vai ocorrer por meio do consumo.


A expansão do PIB e a melhora dos indicadores consumo até impactariam a política monetária em uma situação de equilíbrio da economia. No entanto, como explica o economista Fabio Ramos, do UBS, a situação atual ainda é de começo de recuperação. "Apesar do crescimento no segundo trimestre, o que chamamos de hiato do produto, sob qualquer métrica, ainda está muito aberto", diz. Na UBS, a estimativa é de que a Selic deve recuar para 7,5% no fim do ano, onde permaneceria ao longo de 2018.


Olhando para frente, os números do PIB até contribuíram para melhorar as expectativas de longo prazo no mercado para o crescimento. Com isso, houve uma descompressão dos vencimentos mais diluídos dos DIs. No entanto, para que um recuo mais claro seja observado, os investidores aguardam avanço da agenda econômica, principalmente de cunho fiscal. Na próxima semana, será acompanhada de perto a votação no Senado da Taxa de Longo Prazo (TLP). A expectativa é de aprovação, mas o prazo é curto pois a medida teria de ser apreciada até o dia 7 antes de caducar.


Outro ponto de atenção nos próximos dias será o IPCA de agosto. A estimativa do BNP Paribas é de inflação em 0,35%, acelerando ante a alta de 0,24% em julho. "O recente aumento de impostos sobre o combustível deve ser incorporado no número de agosto, assim como a elevação do preço da energia", diz o banco. Por outro lado, os preços dos alimentos devem permanecer em território negativo.


No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 caiu a 7,785% (7,805% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 sobe a 7,790% (7,760% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2021 marca 9,190% (9,180% no ajuste anterior) e o Di janeiro/2023 exibe 9,820% (9,820% no ajuste anterior).

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