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Cabral defendeu interesses da Delta em negociação do Maracanã, diz AG

Ao dar aval à entrada da Andrade Gutierrez no consórcio responsável pelas obras de modernização do Maracanã, o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, orientou para que a participação de 30% da Delta no projeto fosse mantida. Cabral pediu, na ocasião, que a AG tratasse diretamente com a Odebrecht sua entrada no consórcio e que pagasse propina equivalente a 5% do valor do contrato.


A informação foi prestada pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Segundo o ex-executivo da AG, o encontro com Cabral se deu no Palácio das Laranjeiras.


"Fui pedir [ao ex-governador] nossa participação no consórcio que estava sendo formado entre a Odebrecht e Delta. O governador disse que estar de acordo, mas que eu devia conversar com Odebrecht, para entrar na parcela Odebrecht no projeto, de 70%. Ele [Cabral] disse que não podia haver mudança na participação da Delta (30%)", depôs Nora.


O ex-executivo da Andrade Gutierrez confirmou que representantes da empresa se reuniram, então, com a Odebrecht. A AG, a partir de então, passou a deter 21% do projeto, ficando a Odebrecht com 49% e a Delta com 30%.


"Questionamos o fato de termos participação menor que a Delta [no consórcio]. A qualificação não ficou de acordo com o porte das empresas", complementou.


Nora comentou, ainda, sobre sua relação com Cabral. O ex-presidente da AG disse que conheceu o ex-governador antes mesmo de Cabral assumir o governo, quando o então peemedebista foi pedir à construtora doações para campanha eleitoral.


"Conversamos sobre projetos do governo, a intenção de obras [de Cabral] e ele pediu ajuda à campanha. A empresa achou por bem participar", depôs Nora.


Segundo ele, as doações foram feitas oficialmente. O ex-presidente da AG disse, ainda, que, até setembro de 2011, quando esteve a frente da construtora, as obras do Maracanã "estavam dando prejuízo".


Doação


A Andrade Gutierrez pagou parte das propinas acertadas com Cabral via doações oficiais a campanhas eleitorais, confirmou o superintendente comercial da construtora, Alberto Quintaes.


Segundo ele, a AG pagava propinas em prestações mensais, no valor de R$ 350 mil, ao ex-governador. O acerto foi feito em 2007.


"[Quando o pagamento das propinas começou] Já existia a intenção de participarmos da obra do Arco Metropolitano e do PAC das Favelas... [o pagamento] Era um adiantamento pelas obras que viéssemos a assumir", disse Quintaes em depoimento.


Quintaes confirmou que representantes da companhia se reuniam com Wilson Carlos, operador de Cabral, e Hudson Braga, ex-secretário de obras do Estado, para tratar da elaboração dos editais das concorrências das obras do Arco Metropolitano e PAC das Favelas. Segundo ele, nessas reuniões, foram definidas cláusulas de exigência técnica que visavam reduzir a concorrência.

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