Deflação em alimentação e alta nos combustíveis geram impacto no IPCA

O grupo de alimentação e bebidas ? responsável por um quarto dos gastos das famílias ? apresentou deflação de 1,07% em agosto, a quarta baixa de preços consecutiva, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


O resultado voltou a surpreender analistas, que previam deflação menor dos alimentos. Esse desempenho ajudou ainda a compensar no mês a alta dos combustíveis e energia elétrica. O IPCA foi de 0,19% no mês, abaixo dos 0,24% de julho.


A boa safra de alimentos, além da própria crise, já havia provocado queda de preços do grupo em maio (-0,35%), junho (-0,50%) e julho (-0,47%). A baixa de agosto foi responsável por retirar 0,27 ponto percentual do IPCA no mês.


Segundo o IBGE, a queda dos alimentos foi puxada pelos alimentos para consumo em casa, que 1,84%, após a queda de 0,81% de julho. Os destaques foram: feijão-carioca (-14,86%), tomate (-13,85%), açúcar cristal (-5,90%), leite longa vida (-4,26%), frutas (-2,57%) e carnes (-1,75%).


"Os alimentos em casa são 153 itens. Desses, 100 tiveram queda. Os demais tiveram alta. É uma queda expressiva, ainda que não generalizada. E são itens importantes no dia a dia", disse Fernando Gonçalves, técnico no IBGE.


Já a alimentação fora, que havia ficado 0,15% mais cara em julho, subiu 0,35% em agosto.


Combustíveis


Já a principal pressão para o IPCA veio novamente do aumento de dois itens administrados pelo governo: a conta de energia elétrica e os preços de combustíveis.


Os preços dos combustíveis tiveram alta de 6,67% em agosto, com impacto de 0,32 ponto percentual no índice, a maior do mês. A gasolina ficou 7,19% mais cara e o etanol, 5,71%. As variações de preço dos combustíveis ainda refletem o aumento dos preços em função da elevação do PIS-Cofins no fim de julho.


O grupo de transportes (que responde por 18% do IPCA), e inclui os combustíveis, acelerou de 0,34% em julho para 1,53% em agosto, conforme a pesquisa do IBGE. Seu impacto sobre o índice do mês foi assim de 0,27 ponto percentual.


Já as tarifas de energia elétrica ficaram 1,07% mais caras em agosto, por causa do impacto da mudança da bandeira tarifária para a cor vermelha. Sozinha, a conta de luz impactou assim em 0,07 ponto percentual o índice do mês.


Apesar da pressão de energia, o grupo de habitação do IPCA desacelerou, de 1,64% em julho para 0,57% em agosto. Esse grupo representa algo como 15% das despesas das famílias e contribuiu com 0,09 ponto para o índice no mês.


No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,41%), o destaque é o plano de saúde, com variação de 1,07%. Já a Educação, com 0,24% refletiu o resultado apurado na coleta realizada em agosto a fim de captar a realidade dos preços praticados no segundo semestre do ano letivo.


Os grupos com variação negativa foram Alimentação e Bebidas (-1,07%) e Comunicação (-0,56%).


Difusão



O índice de difusão do IPCA, calculado pelo Valor Data, subiu de 41,8% para 46,4% em agosto, evidenciando uma elevação de preços um pouco mais disseminada entre os produtos pesquisados pelo IBGE no mês passado.


Sem os alimentos, a difusão do IPCA também aumentou de 43,9% em julho para 53,8% em agosto.

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