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Juros futuros longos interropem sequência de baixa em dia de ajustes

A alta dos juros futuros com prazos mais longos ganhou um pouco mais de força no fim do sessão regular desta segunda-feira. O avanço das taxas é atribuído a questões técnicas, com ajustes pontuais de posições após a sequência de baixas dos últimos dias.


No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2021 subia a 8,970% (8,910% no ajuste anterior), enquanto o dólar comercial avançava 0,15%, a R$ 3,0992. Com o resultado, o contrato de renda fixa interrompe uma sequência de quatro baixa seguidas.


Apesar da correção, profissionais do mercado financeiro apontam que o ambiente de negócios ainda é favorável para a redução de prêmio. Tanto é que a percepção de risco - medida pela diferença entre os DIs - operou em baixa durante grande parte do dia.


A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 ficou em 1,91 ponto percentual, mesmo nível do fechamento de sexta-feira. A conta indica o prêmio exigido pelos investidores para se posicionarem em trechos mais longos. Embora se mantenha bem acima dos níveis anteriores ao estouro da crise política, em maio, a diferença vem diminuindo desde o fim do mês passado, quando girava em torno de 2,14 pontos.


O DI janeiro/2018 a recuava a 7,655% (7,660% no ajuste anterior). Por outro lado o DI janeiro/2019 subia e a 7,670% (7,620% no ajuste anterior), às 16h.


No fronte político, diminui a preocupação dos agentes financeiros com o impacto de uma eventual denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). O procurador-geral Rodrigo Janot tem até o dia 17 para apresentar a acusação. Esta é a data que ele deixa o cargo. Nas últimas semanas, a credibilidade das provas providas pelos empresários da JBS tem sido colocada em dúvida. E a prisão do empresário Joesley Batista neste fim de semana alimenta essa leitura.


Com isso, a aprovação de parte da reforma da Previdência começa a voltar para o cenário de alguns dos investidores, embora ainda seja vista com ceticismo.


"O prêmio no mercado não vai sumir de uma hora para outra, até porque a política segue com alguns pontos de atenção", diz Paulo Petrassi, sócio e gestor na Leme Investimentos. A cautela é amparada pela prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e a delação premiada do ex-doleiro Lúcio Bolonha Funaro. "Há receio de que Geddel e Funaro, se entregarem informações contra Temer, atrapalhem a esperança com a reforma da Previdência", acrescenta.


No curtíssimo prazo, as atenções se voltam mais uma vez para a comunicação do Banco Central. Nesta terça-feira será divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a Selic foi reduzida em 1 ponto percentual a 8,25% ao ano. A leitura a partir do comunicado é que o ritmo de cortes deve desacelerar, mas a taxa básica ainda tem espaço para cair.


Para a próxima reunião, o Copom afirmou que "vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária". A condição seria a evolução conforme o esperado do cenário básico. O comitê também "antevê encerramento gradual do ciclo".


Esses são os trechos que o mercado aguarda mais detalhamento, de modo a ajustar suas expectativas para o ponto final da Selic no ciclo atual. Por ora, a leitura de parte dos agentes financeiros é que o BC caminha para cortar a taxa em 0,75 ponto em outubro, com possibilidade de mais um movimento em dezembro.


No Boletim Focus, a mediana das projeções para a Selic no encerramento de 2017 foi para 7%, ante 7,25% na edição anterior. Para 2018, a estimativa cedeu de 7,50% para 7,25%.


As previsões para a inflação voltaram a cair e, para 2017, apontaram mediana de 3,14% e de 4,15% no ano que vem. Ao mesmo tempo, as expectativas para o PIB foram corrigidas de 0,5% para 0,6% este ano e de 2% para 2,10% no próximo.

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