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Alta do dólar tem novo impulso e cotação se aproxima de R$ 3,20

A alta do dólar se estendeu nesta quarta-feira (27) pela terceira sessão consecutiva, aproximando-se do nível de R$ 3,20. O movimento foi pautado, mais uma vez, por uma aparente reprecificação do cenário americano. Além das apostas crescentes de novo aperto monetário nos Estados Unidos em 2017, repercute no mercado a proposta do presidente Donald Trump de reformar o sistema tributário, algo que poderia amparar a expansão econômica no país.


O avanço global da divisa americana teve efeito mais acentuado em mercados emergentes. Foram justamente as divisas dessas praças que registraram os piores desempenhos diários numa lista de 33 divisas globais. Acompanhando o bloco de seus principais pares, o real ficou na sexta pior colocação.


O dólar comercial fechou em alta de 0,88%, cotado a R$ 3,1937, nível mais alto desde 14 de agosto quando marcou R$ 3,1953. Em três sessões, o ganho acumulado é de 2,11%.


O contrato futuro para outubro, por sua vez, avançava 0,76%, a R$ 3,1925, por volta das 17h18.


No fim da tarde, o presidente dos EUA apresentou sua proposta tributária. Mas grande parte dos detalhes já havia sido divulgada mais cedo. Entre os pilares da iniciativa, está a redução da taxa de imposto para empresas de 35% para 20%.


Apesar do impulso no dólar, profissionais de mercado ainda não enxergam uma tendência sólida de alta. Para o economista-chefe para América Latina no banco ING, Gustavo Rangel, não há garantia de que a reforma tributária será aprovada no Congresso americano, nem que o movimento do dólar seja sustentado.


"O mercado está precificando algo que até recentemente teve só surpresas negativas. É tudo bastante incerto", diz. "O risco é de nova decepção e o dólar devolver esse ganho", acrescenta.


Estimativas se mantêm


Até por isso, a projeção para o câmbio no ING em 2017 e 2018 está mantida. Rangel estima que o dólar ficará em R$ 3,15 ao fim deste ano e subirá para R$ 3,25 no próximo. "No ano que vem, o mercado vai se focar mais no risco político, que agora ainda está sendo meio que ignorado", diz.


A atuação do Federal Reserve também é vista com algum ceticismo. O cenário no Rabobank é de que o banco central americano só voltará a elevar juros em 2018. O sinal recente do FOMC e da presidente do Fed, Janet Yellen, é de que o aperto neste ano vá ficar na mesma. "Mas a questão da inflação baixa vai pesar na decisão do Fed e o banco não deve subir juros no fim do ano", diz o economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng. A estimativa para o dólar, também mantida, é de que termine 2017 em R$ 3,20 e marque R$ 3,40 no fim do período seguinte.


Por ora, os fundamentos econômicos do Brasil jogam a favor do câmbio, na avaliação dos especialistas. Isso porque a economia dá sinais de recuperação enquanto as contas externas seguem sólidas.


A cena política, entretanto, ainda desperta cautela. A chance de ser aprovada a reforma da Previdência antes da eleição é minimizada por boa parte dos agentes financeiros. "Até por questão de calendário", diz Oreng, do Rabobank Brasil.Entra nessa conta a discussão do governo com seus aliados enquanto o presidente Michel Temer busca consolidar o apoio parlamentar para barrar as novas denúncias contra ele da Procuradoria Geral da República (PGR).


Por outro lado, ainda há confiança de que a medida deve passar nos primeiros anos de um novo governo. "Uma aprovação antes da eleição não está incorporada nos preços. Se houver surpresa, e for aprovada, algo que não parece muito provável, o real tem condição de se apreciar bastante", aponta Gustavo Rangel, do ING.

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