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Ibovespa sobe 1,70% nesta terça-feira e dólar cai para R$ 3,14

Um conjunto de bons indicadores econômicos voltou a pesar sobre o mercado de ações nesta terça-feira (3) e levou o Ibovespa a retomar, com folga, os 75 mil pontos.


O ambiente externo favorável a risco, que contou com novas marcas históricas em Wall Street, ajudou o mercado, mas analistas insistem em dizer que elementos locais têm hoje grande influência na onda compradora que se viu.


Às 13h51, o Ibovespa subia 1,70% para 75.622 pontos. Na máxima, o índice tocou os 75.749 pontos e, na mínima, registrada logo no início dos negócios, estava em 74.363 pontos.


Segundo o sócio e gestor da Canepa Asset Management, Eduardo Roche, a força do mercado ainda hoje vem dos sinais da economia local, que segue em seu ciclo de retomada. "Os papéis ligados à economia doméstica continuam sendo destaque", afirma.


Os números da produção industrial confirmam essa leitura. Embora o resultado geral tenha decepcionado ao cair 0,8% em agosto, ante estimativas de crescimento de 0,1% colhidas pelo Valor Data, a abertura dos números mostra um quadro favorável, segundo destaca o Itaú, em relatório. Houve alta em bens de consumo duráveis (4,1%) e bens de capital (0,5%), e ligeiras quedas em bens intermediários (-1,0%) e nos demais bens de consumo (-0,6%).


Outro dado positivo veio da Fenabrave, que mostrou crescimento da venda de veículos de 24,91% em setembro ante igual período do ano anterior. Esse resultado impulsionou principalmente as ações de companhias de aços planos: às 13h41, CSN ON subia 5,36% e Usiminas PNA ganhava 5,20%.


Também chamou a atenção o desempenho das ações de companhias estatais hoje. Embora o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, tenha esclarecido que nenhuma decisão sobre a privatização da Petrobras tenha sido tomada, as ações de estatais tiveram ganhos expressivos e contribuindo para a valorização do Ibovespa. Ontem, o ministro disse no programa Roda Viva que a privatização da petroleira é um "caminho". Analistas compreenderam que o ministro falava de algo que poderia ocorrer no futuro, deixando claro que não há nada de concreto para ser implementado. Ainda assim, afirmam, o mercado se entusiasmou pelo simples fato de a discussão sobre privatização continuar na pauta, o que dá fôlego adicional a empresas estatais.


Eletrobras disparava e figura como a maior alta do Ibovespa no horário: ação PNB subia 5,83% e, a ON, 5,16%.


Por outro lado, o índice registrava a queda de Suzano PNA (-0,43%), Taesa Unit (-0,40%) e Embraer ON (-0,17%).


Dólar


O dólar recua nesta terça-feira aos menores níveis em pouco mais de uma semana. Nas mínimas do dia, a divisa volta a operar abaixo de R$ 3,15 em meio a sinais de que o mercado local ainda se beneficia de condições externas favoráveis, apesar do risco de novo aperto monetário nos Estados Unidos ainda em 2017.


Depois de se aproximar de R$ 3,20 nos últimos dias, a moeda americana acumula agora quatro sessões consecutivas de queda. Hoje, a divisa caiu até a mínima de R$ 3,1427, menor nível desde o último dia 25, quando tocou R$ 3,1262. Com isso, o real registra o quinto melhor desempenho diário numa lista de 33 divisas globais, superando outros pares como o peso mexicano e o rublo russo.


Às 13h45, a moeda americana estava cotada a R$ 3,1453, com desvalorização de 0,29%, enquanto o dólar para novembro caía 0,33%, para R$ 3,1575.


Hoje, o Tesouro anunciou a emissão e recompra de bônus da República denominados em dólares. O título a ser emitido terá vencimento em 13 de janeiro de 2028. Já os títulos a serem recomprados têm vencimentos que variam de 2019 a 2030. Por ora, não foi anunciado quanto pretende recomprar, nem de quanto será a emissão do novo título de dez anos.


Para o sócio e gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica, a operação sinaliza as "condições favoráveis para abertura do mercado externo a empresas brasileiras".


No ano até setembro, a emissão de títulos no exterior por empresas brasileiras soma US$ 19,7 bilhões, já superando os US$ 19,2 bilhões no mesmo período do ano passado.


Por outro lado, a conjuntura favorável pode ser colocada à prova por questões de difícil mensuração, como surpresas na política. A tramitação da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Michel Temer é acompanhada pelos investidores. A expectativa no mercado é de que seja barrada na Câmara. Ainda assim, o processo só deve ser definido na semana do dia 23, quando está prevista a votação na Casa.


Juros


Os juros futuros se aproximam da estabilidade no início da tarde desta terça-feira. As taxas até mostraram um sinal mais claro de alta nos primeiros negócios do dia, mas foram perdendo suporte conforme o dólar apontava para baixo.


Hoje, o mercado avalia a informação de que o Banco Central estaria estudando a liberação dos compulsórios. A medida teria um efeito expansionista, ao permitir mais crédito em circulação, ajudando na recuperação da atividade.


O presidente ds Febraban, Murilo Portugal, afirmou que o ambiente atual - com uma redução duradoura das taxas de juros - é propício para uma discussão sobre a redução das alíquotas dos depósitos compulsórios no país. Isso porque, com a Selic mais baixa, o custo fiscal da medida seria menor.


De acordo com operadores, a informação até contribui para manter os juros futuros em leve alta, uma vez que poderia ter algum efeito inflacionário no futuro. No entanto, os dados de atividade econômica, como da produção industrial, ainda mostram que a retomada da economia é apenas gradual. Sendo assim, haveria espaço até que a ociosidade da economia fosse ocupado, mesmo com iniciativas de estímulo.


Por volta das 13h50, o DI janeiro/2018 cai a 7,470% (7,484% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 sobe a 7,260% (7,250% no ajuste anterior).O DI janeiro/2021 é negociado a 8,780% (8,770% no ajuste anterior).

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