Taxas longas de juros caem com turbulência do dólar

Os juros futuros tiveram um respiro nesta segunda-feira (6), com queda sobretudo nos vencimentos longos, os mais afetados pela turbulência no câmbio emergente nos últimos dias.O alívio foi propiciado justamente pela trégua externa, que permitiu que o dólar voltasse a cair abaixo de R$ 3,30.


O patamar das taxas, porém, segue alto comparado ao visto em semanas recentes, desenho semelhante ao de outras curvas de juros de emergentes, que reagiram à onda de venda de moedas à medida que cresceram apostas de juros mais elevados nos Estados Unidos.


No Brasil, enquanto os trechos mais longos da curva seguem contaminados pela percepção externade riscoe pelas dúvidas sobre a política fiscal interna, a ponta mais curta continua precificando corte da Selic em dezembro, mas altas da taxa ao longo de 2018. O grande debate hoje diz respeito ao espaço de mais quedas da Selic no primeiro trimestre de 2018 sem que sejam afetadas as expectativas de inflação a partir de então.


Inflação


A curva de juros embute mais de 100 pontos-base de alta da Selic em 2018. Os economistas consultados pelo Banco Central para a pesquisa Focus, porém, veem, na pior das hipóteses, estabilidade da Selic em 7% - considerando a mediana das projeções. E um grupo específico - o Top 5 de médio prazo - passou a ver o juro básico em 6,5% ao fim de 2108, apesar do recente aumento de ruídos políticos e macroeconômicos.


O IPCA de outubro, a ser divulgado nesta semana, poderá dar um norte ao mercado sobre a tendência da inflação e, portanto, sobre a capacidade de a economia suportar juros de 7% ou abaixo disso sem pressão de alta nos preços.


O banco Haitong está no grupo dos que veem cenário de inflação ainda favorável. Os economistas da instituição estimam que o IPCA em 12 meses tenha ficado em 2,77% em outubro, acima dos 2,54% de setembro. Mas argumentam que os núcleos seguem compatíveis com a meta de 4,5% para o ano que vem. "Consequentemente, não esperamos que o resultado do IPCA altere a confiança do BC de que o quadro para a inflação continua tranquilo", dizem em nota.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 - que reflete apostas para a Selic ao fim de 2018 - caía a 7,280% ao ano (7,300% no ajuste anterior).O DI cedia a 8,470% (8,540% no último ajuste). O DI janeiro/2021 recuava a 9,280% (9,410% no ajuste anterior). E o DI janeiro/2023 caía para 10,020% (10,170% no último ajuste).

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