B3 se diz confiante em relação ao crescimento do mercado de capitais

Depois de registrar um crescimento na receita de todos os segmentos de negócios no terceiro trimestre, a B3 segue confiante em relação aos resultados da empresa para os próximos meses. Principalmente em relação aos mercados de ações e derivativos.


Segundo o diretor de relações com investidores da companhia, Rogério Santana, os números de outubro para esses segmentos foram positivos, impactados principalmente pela reprecificação de ativos e pela continuidade da queda da taxa de juros, que atrai os investidores para o mercado de renda variável. "Isso tudo tem gerado volume", afirmou Santana, durante telefconferência de resultados nesta segunda-feira (13).


O executivo destacou que mais empresas iniciaram oficialmente processos de IPO e follow-on, que também é considerado um "bom sinal". "No momento que empresas oficialmente iniciam processo, é porque tiveram suporte de assessores, que indicaram que mercado está receptivo e é um bom sinal do sentimentos dos investidores", afirma.


A B3 registrou um lucro líquido de recorrente de R$ 445,3 milhões no terceiro trimestre, o que representa queda de 26,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, disse Santana, foi diretamente impactado pelo resultado financeiro da empresa.


Ele lembra que no mesmo período de 2016, a B3 tinha uma posição de caixa elevada, decorrente da venda de ações da CME, a Bolsa de Chicago, e sem a dívida que existe hoje, adquirida em parte pela fusão da BM&FBovespa com a Cetip.


Apesar disso, Santana destaca que a estratégia da empresa hoje é a redução do endividamento. Para isso, uma das ações foi o resgate de uma emissão de debêntures de R$ 500 milhões, o que, segundo a companhia, pode ter um impacto positivo no resultado dos próximos trimestres.


Algumas das estratégias de desalavancagem da empresa passam por uma reavaliação da distribuição adicional de proventos feita a cada trimestre. "É um assunto que está sendo avaliado internamente. A gente tem adotado prática de fazer distribuições intermediárias, que acontecem no primeiro, segundo e terceiro trimestres em um patamar de 50% do lucro contábil. E ao final do ano temos compromisso de avaliar se temos espaço ou não para distribuição adicional", afirma.


Ele ainda destacou que a B3 mantém uma "posição de caixa sólida e confortável", o que será levado em consideração pelo conselho de administração na hora de avaliar eventuais mudanças na distribuição.


"Primeiro fazemos análise de necessidade de caixa para nossas atividades, que exige balanço sólido. E para ter um balanço sólido é importante ter posiçãosólidade caixa. Depois fazemos a segunda análise, com os demais compromissos financeiros de amortização de dívida", diz.


Infração


Após a B3 receber um auto de infração da Receita Federal no valor de R$ 3,02 bilhões, que questiona a amortização do ágio gerado nos exercícios de 2012 e 2013 - com a incorporação de ações da Bovespa pela BM&F em 2008 -, Santana, afirma que há um otimismo em relação ao tema.


Ele explica que as duas notificações anteriores ? referentes ao mesmo caso, mas nos anos de 2008 e 2009, e 2010 e 2011 ? estão em andamento e com boas expectativas, o que poderia ser um bom indicativo para essa terceira autuação.


A primeira, segundo Santana, teve a discussão encerrada no Carf com a conclusão de um empate. Agora, ela será encaminhada à Justiça Comum.


A segunda já passou por uma decisão na Câmara Baixa do Carf, com uma decisão favorável à B3 por cinco votos contra três. A procuradoria da Fazenda, no entanto, recorreu para a Câmara Superior e a companhia aguarda a análise.


Já a terceira situação, de acordo com Santana, era algo "esperado". Isso porque o prazo para questionar uma companhia é de até cinco anos após o acontecido, o que daria uma data limite ao final deste ano.


"Considerando que os julgamentos anteriores não foram encerrados, esperava-se que a Receita questionasse o ágio de 2012", afirma. "Estamos confiantes que vamos vencer, mas isso demora algum tempo, mas continuamos confiantes. Por isso tratamos o caso como chance de perda remota", diz.


Serasa




O executivo também comentou a derrota para o Serasa Experian na concorrência para registro imobiliário de determinadas operações da Caixa Econômica Federal. Ele afirmou que a plataforma da B3 engloba outros dois serviços além do registro das garantias dos contratos de financiamento imobiliário, que são o laudo eletrônico dos imóveis e registro eletrônico de contratos.


"Nossas soluções já estão sendo usadas por alguns bancos, ainda gradualmente, para alguns segmentos específicos", afirma. "Continuamos na expectativa que no momento em que a Caixa quiser utilizar esses outros serviços, estaremos prontos para oferecer", disse.


Ações


As ações da B3 operam em alta firme nesta segunda-feira, após a companhia divulgar um balanço positivo sobre o terceiro trimestre, na noite de sexta-feira (10). Apesar da queda no lucro líquido recorrente, diversos pontos vieram melhores do que o esperado pelos analistas.


Hoje, o Credit Suisse elevou o preço-alvo do papel de R$ 24 para R$ 28 e BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra.


Por volta das 11h40, as ações subiam 1,52%, a R$ 22,74.

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