Rabello de Castro diz que é 'presidente diarista' do BNDES

Ao comentar futuras ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar o crédito no Brasil, Paulo Rabello de Castro, voltou a polemizar, dizendo que é "presidente diarista" da instituição financeira federal, podendo deixar o cargo "dependendo do Diário Oficial" de cada dia.


A declaração, feita hoje em São Paulo, acrescenta mais um ruído aos rumores de que o executivo, amigo pessoal do presidente Michel Temer (PMDB), poderá ser demitido do banco para abrir espaço a um indicado político do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), protagonista de tramitações de projetos importantes de interesse do governo no Congresso, principalmente a reforma da previdência social.


Em palestra no 12º Seminário Internacional da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Rabello de Castro falava de ações que iniciou no banco, como o Canal do Desenvolvedor, programa que tenta facilitar o acesso a crédito do BNDES por micro, pequena e média empresa: "No ano que vem, se tudo der certo, se o presidente diarista do banco ainda estiver lá - porque eu e a Marinete vamos e voltamos todo o dia dependendo do Diário Oficial -, o Canal do Desenvolvedor vai migrar para uma plataforma mais ampla", disse Rabello de Castro, fazendo menção à personagem Marinete, protagonista de programa humorístico da televisão "A Diarista", veiculado pela Globo entre 2004 e 2007.


Segundo a assessoria do BNDES, Rabello de Castro costuma brincar com sua equipe, internamente, usando a analogia da diarista desde que assumiu o comando do BNDES, em junho deste ano. De lá para cá, ele não economizou em polêmicas, direcionando-as principalmente à equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao Banco Central (BC).


Logo nos primeiros dias à frente do banco de fomento, Rabello de Castro fez duras críticas à substituição da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP). Combateu publicamente a exigência da Fazenda e do Planejamento de devolver recursos emprestados pelo Tesouro para compor o funding do banco nos governos petistas. Recorrentemente alfineta a condução da política monetária pelo BC. Chegou a afirmar os juros no país são pornográficos. Para completar o rol de polêmicas, Rabello de Castro se filiou ao PSC, que lançou sua pré-candidatura à Presidência da República no último sábado, em Salvador.


Sem parar para conversar com a imprensa ao fim de sua participação no evento de hoje da Acrefi em São Paulo, Rabello de Castro apenas negou que seja candidato ao passar por jornalistas que o aguardavam para entrevista.


PIB


Rabello reiterou que o crescimento da economia brasileira vai surpreender no ano que vem e beirar os 4%. No início de novembro, Rabello já havia feito essa projeção.


"Temos à nossa frente uma retomada. Em 2018, se derem oportunidade à administração Temer de fazer o que precisa ser feito, o crescimento será surpreendente. Já abdiquei do chapéu de economista que faz conta e projeta o futuro, mas não assina embaixo. Eu diria que estaremos acima de 3%, beirando 4% de crescimento. Isso não é nada demais para um país que amargou quase 10% de queda de crescimento na maior recessão de todos os tempos", declarou Rabello de Castro durante palestra no 12º Seminário Internacional da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em São Paulo.


Aumento do crédito


Ele disse também que o BNDES terá papel essencial na retomada da economia, sobretudo no campo do crédito. Segundo o executivo, os desembolsos do programa BNDES Giro (antigo Progeren), que libera crédito de capital de giro para empresas, cresceram de R$ 400 milhões por mês para R$ 1 bilhão no segundo semestre deste ano.


A meta, informou, é chegar a R$ 2 bilhões mensais de liberação dessa linha em 2018, o que ajudará "imensamente as ambições do banco de fechar o ano que vem com desembolsos totais na ordem de R$ 100 bilhões", acrescentou Rabello de Castro, reiterando que a situação do banco é saudável mesmo com a recente devolução de R$ 50 bilhões emprestados pelo Tesouro Nacional. "Temos uma das menores taxas de inadimplência do sistema financeiro nacional, de 1,83%."


Eleições de 2018


Depois de discursar, Rabello de Castro não quis falar com a imprensa. Rapidamente questionado se seria candidato à Presidência da República depois de participar da convenção do PSC, realizada no fim de semana, em Salvador, o presidente do BNDES apenas negou, sem entrar em detalhes.

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