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BC deve focar mais o estímulo à concorrência que concentração bancária

(Atualizada às 16h50) O Banco Central (BC) deve focar mais o estímulo à concorrência do que a questão da concentração bancária no país, disse o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn."Temos de nos concentrar na concorrência. É ela que vai gerar menores preços, spreads menores", afirmou, ao ser questionado sobre como o BC vê a concentração bancária no mercado brasileiro, na sessão de perguntas de evento promovido pelo ICC e pelo Ibrac.


Segundo ele, com exceção dos anglo-saxões, em boa parte dos países têm quatro ou cinco empresas predominantes, e isso ocorre em diversos setores.


Ilan afirmou também que é preciso melhorar as garantias nas operações de crédito, "empoderar o pequeno e médio" prestador de serviços e dar força à inovação. "É nisso que temos que trabalhar para aumentar a concorrência."


Para melhorar as garantias, citou a regulamentação das letras imobiliárias garantidas (LIG) e a criação do registro eletrônico. Para estimular a concorrência, o presidente do BC mencionou a segmentação das instituições financeiras, o cadastro positivo e o incentivo às fintechs.


Ilan afirmou que as empresas de tecnologia financeira têm papel importante para o sistema financeiro, pois é nelas que floresce a inovação. "Temos de permitir e incentivar as fintechs", afirmou, ponderando que à medida que elas se tornam maiores, precisam de parâmetros regulatórios.


Crédito


lan Goldfajn afirmou que o sistema financeiro está pronto para atender à demanda por crédito na retomada do crescimento econômico. "Ativos problemáticos e inadimplência não ameaçam a estabilidade", disse ele, lembrando que 184% dos créditos inadimplentes estão provisionados.


Ilan também observou que as instituições financeiras apresentam índices de Basileia e capitalização acima do mínimo exigido, o que permitiu que o país atravessasse a crise com segurança.


"A crise no Brasil promoveu um teste de estresse real para o sistema financeiro nacional", afirmou. Para Ilan, embora tenha havido aumento da inadimplência e de provisões e queda de margens, as instituições reagiram bem e têm boa liquidez. "O sistema financeiro não realimentou a crise. Ao contrário, a resiliência do sistema bancário contribuiu como amortecedor."


Conselho de estabilidade


O presidente do BC defendeu também a criação de um conselho nacional de estabilidade financeira, envolvendo diversos órgãos reguladores do sistema e o Ministério da Fazenda.A proposta, nos moldes do que já se faz no mercado internacional, é definir os mandatos de cada regulador e estimular a coordenação entre eles no que diz respeito à estabilidade financeira. O tema faz parte da agenda BC+ e, segundo Ilan, está em fase de discussão.


De acordo com ele, espera-se que, até 2018, a proposta de legislação seja submetida ao Congresso Nacional."Essa iniciativa se soma ao arcabouço com o qual o país já conta para lidar com eventuais ameaças e fortalece ainda mais a governança da estabilidade financeira no país", disse Ilan durante discurso em evento promovido pelo ICC e pelo Ibrac.

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