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Ibovespa cede à pressão política e cai; dólar recua

O mercado local de bolsa passa nesta tarde por um processo de correção mais intenso após uma semana em que registrou três altas consecutivas, estimulado pela maior pressão vendedora e pelo ajuste de posição diante da cautela envolvendo a reforma da Previdência.


Às 13h30, o Ibovespa caía 1,11%, aos 73.332 pontos. Na mínima intradia, o índice atingiu os 73.159 pontos. O volume negociado era de R$ 1,98 bilhão.


Do lado das baixas, a Braskem PNA (-2,95%, a R$ 46,78) liderava quedas ao lado da Copel PNB (-4,35%, a R$ 23,75), enquanto papéis de importante peso e giro para o Ibovespa também recuavam, caso dos bancos, da Petrobras PN (-1,55%, a R$ 15,85) e Vale ON (-1,84%, a R$ 35,13).


Para um operador, os bancos já vêm caindo nos últimos dias em meio aos receios envolvendo as recentes negociações, ainda sem um desfecho, entre governo, poupadores e instituições financeiras para tentar chegar a um acordo sobre o pagamento de alegadas perdas com os planos econômicos das décadas de 1980 e 1990.


O movimento de agora, no entanto, reflete uma correção mais firme na posição dos investidores depois que uma parte do mercado chegou a precificar maiores chances da reforma da Previdência caminhar até a primeira semana de dezembro. Em um momento chave para a pauta, os investidores agora parecem ver com mais ceticismo um avanço ainda este ano, embora não tenham descartado de todo a possibilidade.


O ponto é que, em um momento que o Ibovespa mostra evidente cansaço, o mercado se acomoda na faixa entre os 73 mil pontos e 74 mil pontos e aguarda por novos catalisadores ou por novidades na frente política que justifiquem a escalada do índice rumo a novos patamares.


"O mercado está na defensiva com a reforma da Previdência, que ainda caminha sem sinal claro e sem notícias boas, em que pese a agenda econômica positiva. O núcleo duro do governo tentou acertar até a primeira semana de dezembro o andamento da reforma e agora a impressão que fica que é isso pode não acontecer", afirma Pedro Paulo Silveira, economista da corretora Nova Futura.


O movimento de correção de olho na pauta política também pode ser constatado, para os analistas, pelas notícias favoráveis do dia e que ficam, neste momento, em segundo plano. É o caso da elevação na recomendação para Brasil, de neutra para compra, feita nesta manhã pelo Morgan Stanley.


Câmbio


O alívio para emergentes conduz o dólar para o menor nível em um mês. Na mínima, a divisa americana foi negociada R$ 3,2143, patamar mais baixo desde 23 de outubro quando tocou R$ 3,1899. Direcionada pelo exterior, a queda da cotação foi inibida ao longo da manhã pela cautela com a cena política.


Durante boa parte da manhã, o real teve um desempenho pior que seus pares emergentes. O curto prazo para o avanço da reforma da Previdência neste ano e as preocupações com o apoio parlamentar ao governo justificam a percepção de risco. O discurso no governo e de integrantes da base é de que há espaço para votar a reforma ainda neste ano na Câmara e concluir o processo no Senado no começo de 2018.


A consultoria Eurasia alerta, contudo, que o anúncio de datas provavelmente faz parte do processo de convencimento de políticos, não uma evidência do fato de que se está conseguindo apoio. Para ser aprovada na Câmara, a reforma exige, no mínimo, 308 votos.


O estrategista-chefe na Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, aponta que ainda há preocupação com o conteúdo da matéria, que ainda pode ficar mais enxuto. "Aumenta a cautela porque poderiam haver novas concessões, ainda não se sabe ao certo o que pode ser aprovado", disse.


Hoje a queda do dólar ante os emergentes é direcionada pelo movimento no mercado sul-africano. O destaque da sessão é a valorização do rand sul-africano, que chegou a subir 3%, recuperando-se após decisões de agências de rating. Apesar da S&P rebaixar a nota do país, a Fitch a manteve e Moody's colocou o rating em revisão para possível downgrade.


O debate sobre o cenário econômico dos Estados Unidos deve ganhar força. Isso porque voltam a tramitar as propostas para a reforma tributária no Congresso dos EUA. Ainda estão previstos pronunciamentos da atual presidente do banco central americano, Janet Yellen, na quarta-feira e do indicado para substituí-la no cargo, Jerome Powell, na terça.


Por volta das 13h30, o dólar comercial caía 0,46%, a R$ 3,2173.


O contrato futuro para dezembro recuava 0,51%, a R$ 3,2185.


Juros


Sem definir uma direção clara pela manhã, os juros futuros operam bem próximos da estabilidade no início do período vespertino. As incertezas em torno da cena política ainda inibem um alívio nas taxas de prazos mais longos, mesmo quando o exterior abre caminho para uma queda mais firme do dólar.


O DI janeiro de 2021 operava a 9,220%, bem próximo do nível de ajuste anterior, de 9,230%. O vencimento era o mais negociado do dia, com troca de 70 mil contratos.


Entre vencimentos mais longos, o Di janeiro/2023 opera a 10,080% (10,060% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025, a 10,440% (10,430% no ajuste anterior).

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