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Volume de investimento feito por aceleradoras cresce, mas saídas caem

Criadas para ajudar startups a crescer de forma mais rápida, as aceleradoras investiram quase US$ 207 milhões em 11,3 mil companhias ao redor do mundo em 2016, um crescimento em relação aos US$ 192 milhões que foram colocados em 8,8 mil negócios nascentes em 2015, segundo o Global Accelerator Report, elaborado pela Gust, uma espécie de rede social que conecta investidores e startups.


Por conta da crise econômica, o Brasil caminhou na contramão do resto do mundo em termos de recursos aplicados. Os recursos encolheram mais de um quinto (21,5%), para US$ 4,33 bilhões. O número de empresas que receberam apoio, no entanto, saltou de 297 para 491, com investidores buscando diversificar seus portfólios por meio de aportes menores.


Desde que o modelo de aceleração foi concebido pela americana Y Combinator, em 2005, os programas operam de forma parecida: a aceleradora compra uma pequena participação na startup e espera a venda do negócio acontecer algum tempo mais tarde para ser remunerada - preferencialmente com algum lucro.


De algum tempo pra cá, no entanto, esse formato tem mudado. Mesmo com o aumento de recursos e iniciativas apoiadas, o número de empresas que foram vendidas vem caindo. Em 2016, foram registados 178 negócios, 111 a menos que um ano antes. Na avaliação de Miklos Grof, co-fundador da Fundacity, que comprada pela Gust no começo do ano pasdado, essa queda nas saídas (ou exits, como os investidores gostam de dizer) foi puxada pela redução no número de negócios nos EUA - 82 em 2016 contra 193 em 2015. "As aberturas de capital e a atividade de fusões e aquisições simplesmente congelou", disse.


Para contornar esse cenário, as aceleradoras têm buscado novos modelos de negócio. De acordo com a pesquisa, só um terço das aceleradoras dizem prever que continuarão gerando receita com saídas no futuro e nove entre cada 10 estão buscando alternativas para financiarem suas operações. "As saídas não acontecem antes de três ou cinco anos, o que estende o horizonte de retorno sobre o investimento por muito tempo. E financiar o dia a dia de uma aceleradora representa um custo operacional elevado", disse Grof.


Entre as opções mais citadas estão a cobrança por mentorias, sublocação de espaço de escritório, organização de eventos e o trabalho conjunto com empresas. A atuação com companhias, aliás, é a área que tem crescido mais. Mais da metade das aceleradoras no mundo já são parcialmente financiadas por empresas e quase 70% pretendem explorar esse nicho. De acordo com Grof, as empresas têm visto nas aceleradoras uma forma eficiente de se aproximar e se manter conectado com o mundo das startups - seja por meio de programas próprios, como a Oxigênio, da Porto Seguro, que é gerida pela americana Plug and Play, ou pelo patrocínio de alguma iniciativa, como acontece com o Cubo, do Itaú, que tem apoio de nomes como Accenture, Cisco, Gerdau, Mastercard e TIM.


Outra tendência detectada pelo estudo é a especialização da atuação das aceleradoras em segmentos específicos da economia - como agricultura, educação, finanças etc. Quase 60% delas, em nível global, têm atuação em nichos e três fatores levam a crer que esse percentual só tende a crescer: aceleradoras perceberam que é difícil atrair as melhores startups quando se tenta ser bom em tudo, as empresas têm buscado esse foco e o fato de a concentração ajudar no posicionamento e diferenciação dentro do ecossistema "O foco adiciona mais valor à atuação", disse Grof.

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