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Dólar tem maior alta em três semanas

29/11/2017 19h16

As expectativas do mercado sobre a reforma da Previdência sofreram um baque nesta quarta-feira (29), o que levou o dólar à maior alta em quase quatro semanas. Depois de dias "nadando" no noticiário positivo, que sugeria algum sucesso do governo no esforço de angariar votos a favor do projeto, uma série de ruídos, boatos e notícias fez o mercado virar de mão e, pelo menos por ora, assumir uma postura mais defensiva.


Numa evidência do peso do noticiário doméstico, o real descolou de seus pares e registrou o pior desempenho global. Na máxima do dia, o dólar foi a R$ 3,2476, salto de 1,20% - o mais intenso desde 3 de novembro (2,15%).


No fechamento, o dólar chegou a desacelerar a alta, mas manteve ganho firme. A cotação subiu 0,95%, a R$ 3,2395. É a maior valorização desde também 3 de novembro (1,28%), para o maior patamar desde 21 de novembro (R$ 3,2513).


Não se comentou, no mercado, sobre uma informação específica, o que acabou abrindo espaço para rumores, como comentários de que lideranças do governo teriam demonstrado a interlocutores ceticismo com a possibilidade de votação do texto da reforma previdenciária já na próxima semana.


A informação vai de encontro à passada na terça-feira (28) ao mercado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo relato de uma fonte que participou de encontro com "players" do mercado financeiro, Maia disse que o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), prometeu apoio à reforma e que, no PR, o tema parecia "estar bem encaminhado".


Hoje, porém, o líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), deu declarações na direção contrária às de Maia. Segundo Lira, "não tem base nenhuma"na informação de que 40 dos 46 deputados do partido votarão a favor da mudança das regras previdenciárias. Qualquer conta agora vai ser prejudicada. Não chegará aos 308 votos necessários, disse o líder do PP na Câmara.


O próprio Rodrigo Maia adotou tom mais cauteloso nesta quarta, depois do aparente ânimo da véspera. O presidente da Câmara disse ser necessário avaliar o impacto das medidas que o PSDB propôs para o texto da reforma. A declaração sinaliza que os 35 a 40 votos prometidos pelos tucanos em apoio à reforma ainda não estão garantidos e podem se tornar menos prováveis com a expectativa de desembarque do PSDB da base do governo.


Em outra notícia que não agradou, o vice-líder do PSD na Câmara, deputado Domingos Neto (CE), defendeu que o governo só paute em fevereiro a reforma da Previdência.


A edição desta quarta-feira do Valor já trazia informações sobre a dificuldade do governo de obter os votos mínimos para a aprovação da reforma na Câmara. Os partidos da base do governo começaram, ontem, a aferir o real apoio de cada bancada ao projeto do governo. Os primeiros diagnósticos apontam cerca de 220 deputados em prol do texto, número bem inferior aos 308 necessários.


A piora do sentimento com relação à reforma ficou mais evidente hoje, mas nos últimos dias o noticiário já vinha alternando pontos positivos e negativos. O Valor reportou, na semana passada, o baixo quórum em jantar oferecido pelo presidente Michel Temer a parlamentares na noite da quarta-feira (22), que visava conquistar apoio à reforma. Na ocasião, parlamentares estimaram em cerca de cem os deputados presentes, nem de longe o número necessário para aprovar a proposta.


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