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IBGE: 1% mais ricos ganham 36 vezes renda média de metade da população

O grupo 1% mais rico da população brasileira tinha um rendimento médio (de todos os trabalhos) de R$ 27.085 mensais em 2016, ou 36,3 vezes acima do que recebia a metade mais pobre da população naquele ano (R$ 747).


Esse grupo mais rico da população era integrado por 889 mil pessoas, ao passo que a metade com menor rendimento era formada por 44,4 milhões de brasileiros.


Os números que mostram a concentração de renda existente no país são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quarta-feira estatísticas sobre o tema pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, referentes 2016.O instituto não divulgou dados comparativos atualizados em relação a anos anteriores com base na atual metodologia da Pnad.


Na região Nordeste, esse indicador de desigualdade da renda nacional era ainda maior: 39,8 vezes. Na região Sul, registrou-se a menor disparidade, de 24,6 vezes. No Sudeste, a proporção era de 36,3, exatamente a mesma apurada para a média nacional.


"As pessoas que estão no 1% de maior rendimento médio mensal têm escolaridade mais alta. Você pode até dizer que conhece uma pessoa que não tem superior completo e virou presidente, mas é um caso. Estatisticamente, na média, são as pessoas de maior escolaridade que têm os maiores rendimentos", disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.


O IBGE também divulgou a concentração de rendimento considerando todas as fontes, o que inclui o rendimento do trabalho e de outras fontes (como aposentadoria e pensão, aluguéis, Bolsa Família).


Nesse caso, o grupo 10% mais rico concentrava 43,4% da massa de renda, ou R$ 110,7 bilhões. Já o grupo dos 40% mais pobres ficava com apenas 10,01% da massa total ou R$ 25,5 bilhões.


Pela antiga Pnad, o grupo dos 10% mais ricos concentrava 40,5% do rendimento em 2015. Os 40% mais pobres, por sua vez, detinham 13,6% da renda naquele ano.


Isso indicaria aumento da concentração de renda na parcela mais rica da população na passagem de um ano para o outro, mas os números não são estatisticamente comparáveis, segundo o IBGE, já que o modelo anterior da Pnad tinha amostragem e metodologia diferentes da atual.


Regiões


Dos 205,5 milhões de pessoas residentes no país em 2016, 124,4 milhões (ou 60,5% do total) tinham algum rendimento, seja fruto do trabalho ou de outras fontes, como aposentadorias, pensões, transferência de renda.


Considerando o Brasil como um todo, o rendimento mensal médio dessas pessoas foi de R$ 2.053. Regionalmente, porém, a renda no Sudeste (R$ 2.461) era 82% maior do que no Nordeste (R$ 1.352).


Do rendimento médio mensal domiciliar per capita, 74,8% tinha origem no trabalho e 25,2% de outras fontes: aposentadoria e pensão (18,7%); outros rendimentos, como programas de transferência de renda (3,2%); aluguel e arrendamento (2,2%); e pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (1,1%).


A abertura da pesquisa do IBGE mostra que 87,1 milhões de pessoas tinham renda fruto do trabalho e 49,3 milhões possuíam rendimento de outras fontes, como aposentadoria ou pensão (13,9% da população total), pensão alimentícia, doação ou mesada (2,4%) e aluguel (1,8%). Mais 7,7% dos brasileiros recebiam "outros rendimentos", categoria que inclui seguro-desemprego e programas de transferência de renda.


Também nesse caso havia diferenças regionais. Norte e Nordeste tinham as maiores proporções de pessoas que recebiam "outros rendimentos" (10,5% e 12,4%, respectivamente), o que é impulsionado pelos programas de transferência de renda. Na região Norte a proporção de residentes que recebem "outros rendimentos" (10,5%) superava a fatia dos que recebiam aposentadoria e pensões (8%).

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