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Ibovespa tem leve alta em dia de ajuste; dólar opera em queda

O movimento da bolsa no início desta tarde continua pautado por uma possibilidade de ajuste positivo de curto prazo após o tombo recente, ao mesmo tempo que o ambiente político doméstico ainda fornece limitações para o mercado local.


Às 13h40, o Ibovespa operava em alta de 0,48%, aos 72.319 pontos, testando uma recuperação de patamar após as quedas dos últimos dias. Na mínima intradia, o índice atingiu os 71.519 pontos; na máxima, tocou os 72.388 pontos. O volume negociado é de R$ 2 bilhões.


Entre os ganhos relevantes do dia, JBS (+3,03%, a R$ 8,15) e Natura (+3,40%, a R$ 30,15) lideram altas, enquanto ações de peso para o índice avançam ? caso da Vale ON (+1,39%, a R$ 35,63), Petrobras PN (+1,63%, a R$ 15,63) e Banco do Brasil (+2,14%, a R$ 30,57).


Para analistas e operadores, a situação da reforma da Previdência tomou um rumo mais crítico nos últimos dias, depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, adotou um tom mais pessimista quanto ao avanço da pauta no Congresso.


Embora parte do mercado ainda não tenha descartado a hipótese de aprovação até o fim do ano, o prazo até a semana que vem, com que o governo vinha trabalhando, começa a ficar praticamente descartado, enquanto a dificuldade de aprovação parece ter mais precificação no mercado à vista neste momento.


"Se confirmado que não tem placar para votação esse ano e deixar para 2018, devemos ver o Ibovespa oscilando nos patamares atuais. Se olharmos para os fundamentos, porém, ainda vemos melhora no terceiro trimestre para a atividade econômica e para as empresas. Com alguma aprovação [da reforma] este ano ou indicações mais favoráveis e expressivas, podemos experimentar o nível dos 76 mil pontos", diz Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.


Em relatório de hoje, analistas do BTG Pactual sustentaram que o Ibovespa pode ter uma recuperação de curto prazo depois das vendas recentes. Para o banco, a combinação da baixa alocação dos fundos em ativos de bolsa, o múltiplo ainda atraente e a gradual recuperação da economia representam potenciais para as ações agora.


Suzaki, da Lerosa, avalia que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados hoje mostraram uma melhora maior e mais relevante dos investimentos, e não somente do consumo, como os trimestres passados vinham desenhando, o que dá sustentação à leitura de que a atividade segue em expansão, ainda que lenta.


O exterior, porém, ainda representa importante elemento para o mercado local, com as discussões em torno da reforma tributária e os atrasos na votação nos Estados Unidos. Há pouco, as bolsas americanas operavam sem grande oscilação, com o Dow Jones e S&P 500 em leve alta, enquanto o Nasdaq tinha queda de 0,34%.


O movimento lá fora tem reflexos mistos para o investidor. Embora o movimento das bolsas americanas em si costume indicar um ritmo positivo para ativos locais, a aprovação da reforma tributária tem força para enxugar a liquidez global, dado que o pacote é considerado inflacionário e pode ensejar mudança na política monetária do Fed, banco central americano. É, assim, um fator negativo ao mercado local, mas positivo para Wall Street.


Dólar


Apesar da incerteza política, o mercado de câmbio encontra motivo para aliviar a pressão sobre o dólar. A divisa americana opera em baixa nesta sexta-feira, afastando-a pelo menos por ora do nível de R$ 3,30. O sinal é atribuído, em boa parte, à iniciativa do Banco Central de iniciar a rolagem de contratos de swap cambial, com sinalização de que abarcará todo o lote vincendo em janeiro.


Na mínima, o dólar voltou a operar na casa de R$ 3,25 depois de subir quase 2% nas últimas duas sessões. Com isso, o desempenho do câmbio brasileiro é um dos seis melhores do dia, acompanhando a valorização de divisas ligadas a commodities num dia de alta do petróleo e do minério de ferro. O bom comportamento do real também se evidencia na comparação com as perdas do peso mexicano, do rublo russo e da lira turca.


"O anúncio do BC acalmou um pouco o mercado, tirou pelo menos um dos pontos de incerteza locais e está dando saída para quem deseja", diz o profissional de Tesouraria de um banco nacional. O Banco Central começou hoje a rolagem de swaps cambiais que venceriam em janeiro. A oferta foi de 14 mil papéis e, se mantido o ritmo, as operações serão suficientes para rolar integralmente o lote de swaps que vencem em janeiro de 2018, de US$ 9,638 bilhões.


A preocupação com a cena política, entretanto, ainda é um dos principais temas nas mesas de operação, antes de um fim de semana que promete ser marcado por articulações políticas. A reforma da Previdência ainda enfrenta resistência na base aliada do governo em meio a um prazo cada vez mais apertado para votações em 2017. Durante o fim de semana, o presidente Michel Temer deve intensificar as articulações. Estão previstos encontros com o governador de São Paulo e futuro presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, e com representantes de políticos da base.


"Quem achava que a votação sairia na semana que vem estava muito otimista e a alta do dólar nos últimos dias deixa claro que essa expectativa foi bastante reduzida", diz o profissional que não tem permissão para se identificar. Agora, ele acredita que o dólar deve operar entre R$ 3,20 e R$ 3,30 nos próximos dias, com oscilações pontuais mais fortes a depender do futuro da reforma.


Algo que contribui para amenizar a alta do dólar é a expectativa de entrada de recursos no país. Como aponta oValor, a emissão no exterior acelerou nas últimas duas semanas. Além disso, os IPOs poderão somar R$ 14 bilhões em dezembro. A economia local também segue dando sinais de recuperação. Além disso, foi conhecido o resultado do PIB do terceiro trimestre, com crescimento de 0,1%. O resultado ficou aquém do esperado, mas a composição do indicador - como investimentos e demanda interna - é tida como positiva e sugere que a recuperação econômica segue nos trilhos.


Por volta das 13h37, o dólar comercial caía 0,40%, a R$ 3,2676, com mínima em R$ 3,2546. Na semana, entretanto, sobe quase 1%.


Juros


Os juros futuros operam em baixa nesta sexta-feira, acompanhando o alívio no dólar. A incerteza política ainda mantém boa parte do prêmio ao longo da curva. No entanto, os investidores aproveitam o espaço deixado pela valorização do câmbio local para aplicações de renda fixa.


A inclinação da curva, por exemplo, sai das máximas históricas. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 marca 3,12 pontos percentuais, ante 3,16 pontos no fechamento de ontem.


ODI janeiro/2019 opera a 7,090% (7,110% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 é negociado a 8,400% (8,470% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2021 cai a 9,330% (9,380% no ajuste anterior) enquanto o dólar comercial cai 0,32%, a R$ 3,2601.

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