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Juros futuros recuam à espera de Copom e definição sobre Previdência

Após dois dias de fortes altas, os juros futuros tiveram uma trégua nesta sexta-feira, devolvendo uma fração do prêmio acumulado, que chegou a mais de 20 pontos-base em alguns vencimentos.Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 tinha taxa de 10,270% (10,280% no ajuste anterior). Em dois dias, esse DI aumentou 22 pontos-base.


O DI janeiro/2021 recuava a 9,350% (9,380% no ajuste anterior), após subir 14 pontos no mesmo período.O DI janeiro/2020 cedia a 8,410% (8,470% no ajuste anterior).


O alívio no câmbio, na esteira do retorno do Banco Central ao mercado via rolagens de swaps cambiais, colaborou para o ajuste de baixa nos juros da BM&F. À tarde, a declaração do futuro presidente do PSDB, Geraldo Alckmin - que também é governador de São Paulo e possível presidenciável - de que a legenda apoiará a reforma da Previdência ajudou a melhorar o sinal dos juros. As declarações de Alckmin foram publicadas pela "Agência Estado".


A informação ameniza preocupações sobre o governo não conseguir colocar a reforma da Previdência em votação na Câmara dos Deputados ainda neste ano. A redução dessas expectativas nesta semana, ditada em parte pelo tom cauteloso do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), levou a uma firme reprecificação no mercado e colocou em xeque cenários-base de quem trabalha com alguma reforma até o fim de dezembro.


Numa tentativa de reforçar a ala de apoio à reforma, o presidente Michel Temer (PMDB) terá conversa reservada neste sábado com o governador Geraldo Alckmin, que assumirá no dia 9 a presidência nacional do PSDB. Ambos vão tratar do desembarque formal dos tucanos do governo federal e o apoio do partido à reforma da Previdência. Na próxima semana, Temer e Alckmin dividirão o palanque do evento de entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida no interior de São Paulo.


Apesar das altas já verificadas nos DIs nesta semana, o profissional da área de juros de uma atuante instituição financeira diz que o mercado ainda pode piorar mais caso se oficialize a não votação da reforma neste ano. "O mercado tem menos para piorar agora, mas ainda acho que haverá uma reação imediata, especialmente nos vencimentos intermediários. A partir daí então haveria algum fluxo de venda [de taxa]", diz.


Além das negociações sobre a reforma da Previdência, investidores vão se debruçar na semana que vem sobre as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) ao provavelmente cortar a Selic em 0,50 ponto percentual na quarta-feira. Com uma redução nessa magnitude, o juro básico cairia a 7% ao ano, deixando para trás a mínima histórica de 7,25% que vigorou entre outubro de 2012 e abril de 2013.


"No comunicado, acreditamos que, seguindo a prática recente, o comitê deve sinalizar a possibilidade de uma flexibilização monetária adicional no início de 2018, caso o cenário básico evolua conforme esperado e balanço de riscos não se altere, mas não deve se comprometer com nenhum curso de ação pré-definido", diz o Itaú Unibanco em relatório. O Itaú espera redução de 0,50 ponto na próxima semana e outra no mesmo ritmo em fevereiro, o que levaria a Selic a atingir um novo piso histórico de 6,5%.


Para o Nomura, um cenário de "não reforma da Previdência" neste momento "provavelmente não alteraria" o plano do Banco Central de levar o juro básico para 7%. "Por outro lado, 'alguma reforma da Previdência' poderia fazer o Copom cortar mais os juros no primeiro trimestre do ano", dizem estrategistas do banco em relatório. Os profissionais avaliam que os riscos continuam voltados para uma Selic abaixo de 7% ao ano. Dessa forma, recomendam posição vendida em DI janeiro/2019.

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