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Ex-executivo diz que conta em Madri recebia propina para Lula e Dirceu

Em depoimento prestado à Polícia Federal em 4 de julho, o ex-vice-presidente da empreiteira Engevix Gelson Almada afirmou ter conhecimento de uma conta em Madri, administrada pelo lobista Milton Pascowitch, que era abastecida por propinas de contratos da Petrobras, supostamente em benefício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro José Dirceu. O sigilo do depoimento foi levantado nesta sexta-feira pelo juiz federal Sergio Moro. As informações foram publicadas pelo site do jornal "O Estado de S. Paulo".


Almada disse nos autos da denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC para o ex-ministro Dirceu, que teria recebido os valores durante e depois do julgamento do Mensalão - ação penal em que o petista foi condenado. A acusação da força-tarefa da Lava Jato foi ajuizada em 2 de maio e ainda não foi recebida por Moro. Gerson Almada pediu para falar antes de o magistrado decidir se coloca ou não os investigados no banco dos réus.


O ex-executivo confessou que firmou contratos dissimulados com a empresa de comunicação Entrelinhas com o fim de pagar propinas ao ex-ministro. Ele afirma que 'o objeto dos contratos, anexados aos autos, nunca foi prestado à Engevix e que, mediante o fornecimento das notas fiscais pela Entrelinhas, a empreiteira pagou de 2011 a 2012, o valor de R$ 900 mil'.


Almada afirma que 'no início de 2014' Milton Pascovitch teria dito que 'iria viajar para Paris e dali, para não deixar rastro, viajaria de trem para Madri (Espanha) para 'olhar a conta' que ele administrava para 'pessoas do PT'. De acordo com o executivo, ele entendeu que as 'pessoas' seriam Lula e Dirceu porque o lobista mantinha contato intenso desde 2008 com o ex-ministro.


O então executivo da Engevix supôs tratar-se de Lula porque, quando da assinatura do contrato entre a Ecovix - Engevix Construções Oceânicas S. A. e a PNBV Petrobrás Netherland B.V., Milton Pascowitch justificou comissão pedida no sentido de que parte seria destinada para a aposentadoria do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva'.


Segundo o executivo, 'a Ecovix firmou contrato com a PNBV no ano de 2009 ou 2010 para o fornecimento de 8 cascos replicantes para FPSO - Floating Production Storage and Offloading no valor de R$ 3,5 bilhões de dólares, cujo valor de comissão em favor de Milton Pascowitch seria de 0,5%; que o declarante não detém elementos de informação e provas de que parte dessa comissão de 0,5% teria sido destinada ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva'.


Ele afirma não ter provas sobre a conta administrada por Pascowitch em suposto benefício dos petistas, mas entregou documentos às autoridades sobre o suposto pagamento de US$ 10 milhões para o lobista, nos Estados Unidos, em 2014.

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