Correção: Parente diz que Petrobras foi vítima de "desonestos"



Ovalor que a Petrobras recebeu desde o início da operação chega a R$ 1,47 bilhão e não R$ 1,47 milhão)


Em discurso duro em que manifestou, "como cidadão e presidente da Petrobras", apoio "absoluto e integral à operação Lava-Jato", Pedro Parente afirmou nesta quinta-feira que a estatal "foi o tempo todo prejudicada pela desonestidade de alguns poucos executivos, em conluio com empresas igualmente desonestas e maus políticos". Ele fez a declaração pouco antes de assinar um documento que simboliza a entrega de R$ 654 milhões à Petrobras. Trata-se, segundo a força-tarefa da operação no Ministério Público Federal do Paraná, da maior soma já devolvida a uma empresa após uma investigação de corrupção no Brasil.


"Diferente de outras empresas que se envolveram em escândalos de corrupção, a Petrobras não se beneficiou de nenhum novo contrato, nenhuma nova obra, não teve qualquer vantagem com esse processo criminoso. Pelo contrário, foi o tempo todo prejudicada pela desonestidade de alguns poucos executivos, em conluio com empresas igualmente desonestas e maus políticos", afirmou Parente, em evento em Curitiba (PR) ao lado de procuradores e delegados da Lava-Jato.


"Somos, e não deixarei de repetir, a principal vítima do que foi um gigantesco esquema de desvio de recursos públicos, ímpar nesse país. Como vítimas, não podemos deixar de empenhar nosso absoluto e integral apoio à operação Lava-Jato. O trabalho está devolvendo à Petrobras e ao país a certeza de que as instituições do nosso Estado democrático atuam para proteger o cidadão. É um passo importante para a história do nosso país. Os resultados já alcançados nessa investigação contribuem decisivamente para construir um país muito melhor", disse Parente.


"Não deixemos que o tempo decorrido desde o início dessa operação esmaeça a percepção dessa incomensurável contribuição, especialmente quando certos atores começam a propor iniciativas para tentar constranger os principais protagonistas [da Lava-Jato]", disse Parente.


Questionado em entrevista coletiva se suas palavras não atingiriam o governo e seu partido, o PMDB - um dos mais envolvidos no esquema investigado pela Lava-Jato na Petrobras, responsável por indicar diretores da área Internacional da companhia-, Parente tergiversou. "Minha referência não foi ao presidente Temer, foi a uma iniciativa recente de parlamentares de outros partidos", afirmou, sem explicar de quem falava.


"A referência aos maus políticos está nas investigações e nas delações. Ela é factual, não estou inventando nada. Está tudo nos autos. E quero expressamente dizer de público que o apoio que o presidente Temer está dando à Petrobras nenhum outro presidente [da empresa] teve."


Parente reiterou: "Estou absolutamente confortável [na presidência da estatal]. A autonomia que Temer deu ao presidente da Petrobras nenhum outro presidente [da empresa] nas últimas décadas teve. Faço o que tem que ser feito e da maneira correta. E não discuto com o presidente outros assuntos que não os da Petrobras. Minhas palavras têm a ver com a minha indignação como brasileiro", disse.


Caixa


Não há destino definido para os R$ 654 milhões recebidos pela Petrobras, afirmou Parente. "Com ele [o dinheiro], a companhia tem condições de ampliar sua ação direta ou sua área de investimento social. Mas não há vinculação; o dinheiro é fundível, entra no caixa e se mistura", explicou.


Ele citou, como exemplo, projetos de responsabilidade sócio-ambiental e uma parceria da estatal com a Unesco para "treinamento em ética e compliance para parceiros do terceiro setor".


"Capacitaremos profissionais de 180 instituições ao longo de três anos", disse Parente.


Em um vídeo exibido durante a solenidade, em Curitiba, produzido pela Petrobras, mencionou-se a possibilidade de usar a verba na reforma de uma plataforma de exploração que pertence à companhia.


Maior devolução da história


Os R$ 654 milhões devolvidos nesta quinta-feira à Petrobras somam-se a outros R$ 821 milhões que a estatal já recebera da Lava-Jato desde maio de 2015. "É a décima devolução de recursos aos cofres da estatal desde o início da operação. A primeira foi em maio de 2015", disse Paula Cristina Conti Thá, procuradora-chefe do MPF-PR.


O dinheiro entregue hoje é fruto de cinco acordos de leniência - com Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Braskem, Carioca Engenharia e Setal Óleo e Gás- e 36 de colaboração premiada.


Segundo a Lava-Jato, a Petrobras recebeu R$ 1,47 bilhão desde o início da operação, em valores corrigidos. Mas o montante, de acordo com o MPF, representa apenas 13% dos R$ 10,8 bilhões previstos em 163 acordos de delação premiada e dez de leniência firmados desde março de 2014.


"É um valor pequeno perto do que está por vir, se as investigações puderem prosseguir. Para que outras devoluções aconteçam, é preciso preservar e melhorar o ambiente. É preciso que o Congresso e o Judiciário preservem o bom funcionamento de delações e leniências, que permitiram a devolução", disse o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.


"Existem acordos em negociação que envolvem cifras superiores a R$ 600 milhões. E, sem eles, estaríamos processando crimes de corrupção de apenas R$ 26 milhões."


Antes, o procurador causou constrangimento ao mencionar servidores da estatal que cooperam com a força-tarefa para que "a sujeira na Petrobras não seja varrida para baixo do tapete". Teve de emendar: "Tenho certeza de que os corruptos não representam a Petrobras."

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