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Um dia após Copom, juros futuros disparam com temor sobre Previdência

O mercado de renda fixa experimentou nesta quinta-feira um dia de disparada de taxas de juros de novo, devido a preocupações com a reforma da Previdência. As taxas dos vencimentos janeiro/2023, janeiro/2021 e janeiro/2020 subiram mais ou perto de 20 pontos-base nas máximas do dia, no pior pregão em pelo menos um mês.


Às 16h, o DI janeiro/2023 ia a 10,160% ao ano (10,040% no ajuste anterior).O DI janeiro/2021 subia a 9,270% (9,180% no ajuste de ontem).O DI janeiro/2020 avançava para 8,340% (8,270% no último ajuste).


Os juros chegaram ao fim da tarde a alguma distância das máximas, mas ainda assim refletiram o temor de que a reforma da Previdência não seja votada neste ano. Os patamares dos DIs ainda estão aquém dos verificados em meados de novembro, quando o mercado também via baixa probabilidade de aprovação do texto ainda neste ano. Mas já se encontram mais longes das mínimas vistas na sequência, momento em que investidores colocaram fichas num desfecho favorável ainda em 2017.


Na prática, esse desvio sugere que, em caso de confirmação de que a reforma não será votada neste ano, os preços podem piorar um pouco mais, mas de forma menos intensa.Numa indicação disso, a diferençaentre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 e também entre janeiro/2021 e janeiro/2019 subiram em relação a ontem, mas permaneceram abaixo de máximas recentes.


O pior dos cenários seria a reforma ir à votação, mas ser rejeitada. Isso porque o mercado entenderia como mais difícil retomar a pauta depois de uma rejeição.


Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reconheceu dificuldades em conseguir o apoio necessário para votar a reforma da Previdência ainda em 2017. Afirmou, contudo, que seguirá trabalhando para construir o ambiente ideal para se votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) o quanto antes.


A deterioração das expectativas para a reforma da Previdência afetou sobretudo as taxas de juros de médio e longo prazos. Os contratos mais curtos - mais correlacionados às perspectivas para a política monetária - oscilaram entre estabilidade e leve baixa, na sessão seguinte à sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que poderá reduzir a Selic em mais 0,25 ponto percentual em fevereiro.O DI janeiro/2019 tinha taxa de 7,050% (7,040% no ajuste anterior).


Até ontem, o mercado se mostrava mais dividido em relação a uma nova queda dos juros na primeira reunião de 2018. Mas as apostas dos investidores caminham para essa possibilidade. Hojeelas embutem 68% de probabilidade de corte de 0,25 ponto, contra 56% na quarta-feira.


As elevadas incertezas sobre a agenda fiscal por ora não fecham a porta para uma extensão do ciclo de afrouxamento monetário até pelo menos fevereiro. O Itaú Unibanco, por exemplo, vê corte de 0,25 ponto em fevereiro e também em março. O BTG Pactual revisou sua estimativa de estabilidade para redução de 0,25 ponto no segundo mês do ano. Na mesma linha, o UBS passou a ver declínio na mesma magnitude em fevereiro, contra variação zero antes.

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