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Ibovespa ensaia recuperação, mas mantém cautela; dólar bate R$ 3,30

Depois do tombo de ontem, o Ibovespa arrisca um movimento de recuperação nesta sexta-feira. A melhora se baseia, segundo profissionais, no ambiente externo mais favorável, alta do minério de ferro e no vaivém do noticiário sobre Previdência que, hoje, traz alguma esperança de que haverá a votação da reforma no dia 18 de dezembro. Mas a leitura geral é de que o mercado mantém uma boa dose de ceticismo na capacidade do governo em viabilizar a aprovação do projeto e que ondas e volatilidade continuarão movendo os preços.


Às 13h25, o Ibovespa subia 0,57% para 72.899 pontos. Na máxima, tocou 73.425 pontos. Petrobras e Vale voltam a concentrar o giro e operam em alta.


Magazine Luiza, que passará a integrar o Ibovespa a partir de janeiro, volta a figurar na lista das ações mais negociadas. O giro da ação era de R$ 123 milhões e a alta, de 4,96%.


A alta do minério de ferro no exterior contribui para o movimento positivo. A commodity subiu 5,55% no mercado chinês e ajuda na recuperação de Vale (1,05%), Usiminas (1,14%), CSN (1,09%) e Gerdau (1,73%).


Também o resultado da inflação de novembro ajuda a melhorar o humor dos investidores. O IPCA subiu 0,28%, abaixo da média das estimativas, de 0,35%. Inflação baixa corrobora a tese de mais corte de juros, o que é uma boa notícia para a bolsa.


A despeito da melhora de hoje, profissionais insistem que o tema político mantém os investidores cautelosos. Tanto é que, mesmo com a melhora, o Ibovespa continua abaixo dos 74 mil pontos, e também aquém do nível do fechamento da quarta-feira, sessão que antecedeu a piora do mercado.


Para o head de renda variável da CM Capital Markets, Fabio Carvalho, o mercado mostra preocupação com a capacidade do governo conquistar apoio da base aliada para outras reformas, não apenas a da Previdência. "O mercado vê risco de outras ações de curto prazo, como a reforma tributária e a privatização da Eletrobras, não avançarem como o governo deseja", afirma.


Na leitura de profissionais consultados pelo Valor, a convenção do PSDB deste fim de semana, que deve confirmar o nome de Geraldo Alckmin como presidente do partido, pode trazer novidades que influenciem o comportamento dos ativos na semana que vem.


Dólar


A cautela com a cena política volta a pesar sobre o comportamento do dólar no início da tarde desta sexta-feira. A moeda americana bate o nível de R$ 3,30, invertendo a queda do começo do dia. As operações mais defensivas se antecipam a mais um fim de semana de articulações políticas em Brasília que, na leitura de profissionais do mercado, servirão de termômetro para verificar a viabilidade da reforma da Previdência.


Por volta das 13h25, o dólar operava em alta de 0,66% a R$ 3,3085. A cotação se distancia da mínima da sessão quando caiu até R$ 3,2664, além de ir na contramão da valorização das principais emergentes.


O contrato futuro para dezembro, por sua vez, subia 0,33%, a R$ 3,3095.


Por ora, a percepção de parte dos investidores é de que a reforma da Previdência, apesar das dificuldades, não é uma causa perdida. A intenção do governo é pautar a votação da reforma na Câmara durante a semana do dia 18 de dezembro. Até lá, o presidente Michel Temer terá intensificar a articulação política para angariar apoio parlamentar - ainda insuficiente - para aprovar a medida.


A Convenção Nacional do PSDB também está no foco.


Juros


Os juros futuros iniciam o período vespertino com piora de sinal diante da cautela com a cena política. Embora sigam em viés de baixa, as taxas já se distanciam das mínimas enquanto o dólar aponta para cima.


O DI janeiro/2021 marcava 9,250%, ante 9,270% no ajuste anterior. Na mínima, havia tocado 9,160%, voltando ao nível de fechamento de quarta-feira. A inclinação da curva - que serve de termômetro de risco - voltava a subir. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 marcava 3,11 pontos, ante 3,07 pontos no fechamento de ontem.

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