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Quase metade das crianças brasileiras vive em situação de pobreza

O Brasil tinha 42,1 milhões de indivíduos de zero a 14 anos de idade em 2016. Desses, 42,4% viviam com renda domiciliar per capita diária inferior a US$ 5,50 (R$ 387,07 por mês), de acordo com a "Síntese de Indicadores Sociais 2017", divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Pelo critério da pesquisa, a renda total familiar é dividida pelos membros do domicílios. Famílias com mais filhos tendem a ter renda menor por pessoa, explica Leonardo Queiroz Athias, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE. "Pobreza atinge, dessa forma, mais as crianças do que outras pessoas", avalia o técnico do IBGE.


De acordo com a pesquisa, considerando os tipos de arranjo familiar, a chance de um casal sem filho ser pobre era de 11,6%. Quando o casal tinha filho, quase triplicava, para 29,5%. Das 10,7 milhões de pessoas que viviam sozinhas, apenas 9,3% estavam abaixo da linha de pobreza, considerado o critério de renda domiciliar de US$ 5,50 diários por pessoa.


Negra com filho pequeno tem mais restrições


De acordo com o levantamento, dois terços da população brasileira tinham restrição de acesso a pelo menos um serviço relacionado ao bem-estar, como educação, proteção social, moradia adequada, serviços de saneamento básico e comunicação (internet). Dos 205,5 milhões de brasileiros, 64,9% tinha restrição a um desses cinco itens considerados, especialmente ao saneamento básico (30,1%) e à comunicação (25,5%).


A restrição atinge 80% das pessoas de 60 anos ou mais de idade, em seu ápice. Considerando cor e sexo, entre as mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos pequenos no domicílio, 81,3% tinham restrição de acesso a pelo menos um desses direitos.


Com o levantamento, o IBGE buscou avaliar a pobreza para além do enfoque da renda. É o que o instituto chamou de pobreza multidimensional.


O instituto adotou diferentes conceitos de restrição para cada serviço considerado. No caso da educação, por exemplo, considerou pessoas de 15 anos ou mais de idade analfabetas e pessoas de 16 anos ou mais que não possuíam ensino fundamental completo.


No caso da moradia, um dos critérios do IBGE para considerar o domicílio como inadequado foi o adensamento excessivo por dormitório. A pesquisa identificou que em 5,7% dos domicílios do país havia um número médio superior a três moradores por cômodo utilizado como dormitório.


Na proteção social, foram consideradas carentes as pessoas que reuniam dois critérios: viver em casa sem morador empregado ou pensionista; e com renda per capita abaixo de meio salário mínimo sem receber renda de programas sociais.


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