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Formado eletricista, operador Lúcio Funaro deixa a cadeia em Brasília

19/12/2017 13h25

(Atualizada às 14h05) Um dos personagens mais emblemáticos da Operação Lava-Jato, o operador Lúcio Funaro deixa nesta terça-feira a prisão em regime fechado e seguirá para uma fazenda da família no interior de São Paulo. Ele ainda passará dois anos em prisão domiciliar.


Detido na Penitenciária da Papuda, em Brasília, desde julho de 2016, Funaro acertou em acordo de delação premiada um período de dois anos em regime fechado, mas conseguiu redução devido a atividades realizadas na cadeia.


Após audiência judicial que formalizou a troca de regime, ele falou rapidamente com os jornalistas. Disse que terá 60 dias apra completar a delação, prazo que começa a correr quando for notificado da homologação do acordo pelo STF. Ele vai aproveitar o tempo na prisão domiciliar para concluir os anexos do seu acordo de delação. Alegando sigilo do acordo, não quis dar detalhes sobre o que pretende contar nos novos anexos.


Funaro disse que se arrependeu dos crimes cometidos e que pretende retomar a sua vida longe do mercado financeiro e do mundo político. Ele pediu autorização à Justiça para cursar Direito em uma faculdade do interior.


Especialista em mercado financeiro, Funaro concluiu na Papuda cursos de direito administrativo, matemática financeira, inglês básico, biosegurança hospitalar e até eletricista. Para cada 180 dias de curso, ele reduziu a pena em 15 dias.


O doleiro também conseguiu diminuir o período fechado trabalhando na prisão. Ele atuou basicamente na triagem de material reciclável, função na qual diminuiu um dia de pena para cada três trabalhados.


Além disso, o saldo de cadeia pôde ser reduzido com a entrega de resenhas dos livros lidos por ele no cárcere. Funaro resenhou, por exemplo, "O Processo", de Franz Kafka. Cada resenha eliminou quatro dias de pena para Funaro.


Assim que deixar a Papuda, Funaro deverá ir direto para a casa dele na cidade de São Paulo. Alguns dias depois, segue para a fazenda da família em Vargem Grande do Sul, no interior paulista. A casa já conta com um grande esquema de segurança providenciado pelo doleiro para a proteção da família.


"O último lugar que eu quero ficar é em Brasília. Hoje eu vivo uma batalha contra o governo", disse Funaro ao juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal de Brasília.


Devido à falta de tornozeleira eletrônica, o juiz sugeriu que Funaro ficasse na capital federal, para facilitar a fiscalização do cumprimento da pena. O doleiro se comprometeu a equipar a fazenda com câmeras para que seus movimentos possam ser monitorados em tempo integral pela Justiça.

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