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Ibovespa rompe 78 mil pontos de olho no exterior; dólar recua

03/01/2018 14h47

Após a escalada forte de ontem, a bolsa entra na segunda etapa do pregão desta quarta-feira num ritmo mais lento. Mas, ainda assim, a leve alta registrada até agora já foi suficiente para mudar o patamar do Ibovespa e levá-lo de volta aos 78 mil pontos.


Às 13h40, o principal índice da bolsa subia 0,32%, aos 78.143 pontos, após renovar a máxima histórica intradia em 78.223 pontos. O volume financeiro atinge R$ 1,9 bilhão.


Segundo operadores, o momento é de agenda vazia e sem grandes surpresas e os agentes de mercado ainda aguardam desdobramentos importantes, principalmente do lado doméstico, com a votação da reforma da Previdência em fevereiro.


Entretanto, mesmo nesse contexto de incertezas no campo político, a avaliação geral é que o ambiente é positivo para a tomada de risco no exterior, com as bolsas americanas também mostrando importantes altas e sustentando o tom dos negócios globalmente. Além disso, permanecem fortes as expectativas de ganhos para as empresas brasileiras pelo crescimento previsto da atividade econômica neste ano ? e a combinação de um exterior e um ambiente doméstico melhores dá fôlego aos negócios locais.


Para Fernando Barroso, head de produtos estruturados da CM Capital Markets, um destaque do mercado local é o volume, que demonstra uma entrada generalizada de recursos. "O investidor está globalmente buscando alternativas de retornos em mercados emergentes com bom potencial de alta, que é o caso do Brasil", diz.


Nesse contexto, descreve ele, embora a persistam a volatilidade com o ano eleitoral e as incertezas envolvendo a Previdência, o ambiente político se descola das perspectivas econômicas, que ainda sustentam importante espaço para os ativos locais de renda variável.


"A Previdência é fundamental agora. Se a dúvida sobre isso se estender, o Ibovespa pode voltar a patamares mais baixos novamente. O mercado não vem de um ambiente confiante com a reforma, mas não a descartou e continua pautando a possibilidade de uma aprovação para fevereiro", diz. "Se não vier [a reforma], teremos um mercado com outra cara. Mas ainda não temos neste momento fatores que estimulem uma realização de lucro."


Depois de um movimento mais errático durante a manhã, as siderúrgicas colaboram com o viés positivo para o Ibovespa no dia, com Usiminas PNA (+1,04%), CSN (+2,88%), Gerdau PN (+1,31%) e Gerdau Metalúrgica (+1,16%) entre os destaques.


Do lado das blue chips, a Vale ON recua 0,84%, a R$ 41,37, enquanto as ações da Petrobras, influenciadas pelo noticiário do dia, operam sem uma direção definida, com a ON subindo 0,46%, a R$ 17,41, enquanto a PN oscilava perto da estabilidade, com leve alta de 0,06%, a R$ 16,56.


No caso da Petrobras, operadores citam que o mercado ainda digere informações com reflexo divergente sobre os preços das ações. De um lado, a possibilidade de encerrar a ação coletiva movida por investidores americanos traz alívio, já que os potenciais impactos do processo sobre a companhia vinham preocupando investidores. Por outro lado, ainda persistem as dúvidas sobre uma cobrança bilionária da Receita Federal sobre a estatal, envolvendo o pagamento de tributos.


Ainda na ponta positiva, as ações da Embraer seguem com movimento forte e sobem 2,53%, a R$ 21,04, com o investidor ainda bastante interessado em um papel que tem potencial de ganhos de valor relevantes em caso de sucesso na combinação de negócios com a Boeing.


Dólar


O ambiente externo abre caminho para nova queda do dólar na sessão desta quarta-feira. Apesar de alguma instabilidade ao longo da manhã e do ritmo mais lento que da véspera, o recuo da moeda está alinhado à valorização dos emergentes.


Por aqui, às 13h40, o dólar caía 0,08%, a R$ 3,2570, tendo caído até a mínima de R$ 3,2457. A cotação da moeda americana segue nos menores níveis desde o começo de dezembro.


A queda nas duas sessões de 2018 é de aproximadamente 1,80% até o momento. E se mantida a variação até o fim do dia, este será melhor começo de ano desde 2012 quando o dólar caiu 1,98% em apenas um dia.


O movimento é amparado por sinais de recuperação da atividade global, garantindo assim a disposição dos investidores em assumir mais riscos em busca de rendimentos. Nos EUA, o índice industrial do ISM subiu para 59,7 pontos em dezembro, ante 58,2 pontos em novembro, superando as expectativas dos analistas. O contexto favorece a busca por divisas emergentes, que lideram os melhores desempenhos do dia entre as principais moedas globais. Numa lista de 33 divisas globais, o real está entre as dez performances mais positivas.


Nesta quarta-feira, a agenda externa traz os principais eventos econômicos. Às 17h (de Brasília), o banco central dos Estados Unidos divulga a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). O principal indicador da semana vem na sexta-feira com o relatório de empregos dos EUA.


Além do exterior, observa-se uma relativa tranquilidade na cena doméstica com a trégua no noticiário político. O risco de um rebaixamento do rating brasileiro já não é visto com tanta preocupação por operadores. O tema segue no radar do mercado, principalmente com as incertezas em torno da reforma da Previdência. Ainda assim, há algum alívio frente ao rumor de que o downgrade viria pela S&P Global antes do fim do 2017.


"O rebaixamento ainda é um fator que gera apreensão, mas não parece que vai acontecer tão cedo", diz o operador Alessandro Faganello, na Advanced Corretora. O alerta só deve ser aliviado, diz o profissional, no caso de aprovação da reforma da Previdência, que ainda traz ceticismo.


A falta de definições na política é algo que inibe apostas mais positivas para os mercados locais. O operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, vê espaço limitado para queda do dólar até que se haja mais clareza sobre a disputa eleitoral. "Eu não vejo cenário para manutenção do dólar abaixo de R$ 3,25, pelo menos, até a definição do placar do julgamento de Lula no TRF-4", afirma.


Se confirmada a condenação do petista, a decisão do TRF-4 pode tornar o petista inelegível ou, ao menos, prejudicar sua campanha presidencial. Lula é visto pelos agentes financeiros como um dos principais riscos para a continuidade da atual política econômica.


Caso o dólar permaneça abaixo da região de R$ 3,25 a R$ 3,26, o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, diz que a cotação pode caminhar em direção a uma barreira forte, de R$ 3,20.


Juros


O prêmio de risco nos juros futuros volta a cair nesta quarta-feira. O alívio não se repete na mesma intensidade da véspera, já que a queda das taxas é apenas moderada. No entanto, a trégua na política local e o ambiente externo abrem espaço para extensão do sinal positivo de 2018.


O contrato para janeiro de 2021 projeta 8,850%. Este é o menor nível intradia desde a sessão de 20 de outubro, quando tocou 8,84%.


Já o DI para janeiro de 2023 recua a 9,760%, ante 9,800% no ajuste anterior. A taxa também retorna aos níveis de três meses atrás.





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