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Investidores apostam em juro futuro mais longo em busca de rendimento

04/01/2018 17h46

A disposição dos investidores em assumir mais risco em busca de rendimentos se estende para juros de prazos mais longos. Com o prêmio já reduzido nas taxas mais curtas devido à proximidade do fim do ciclo de redução da Selic, a estratégia de parte dos agentes financeiros é alongar posições para trechos mais distantes.


A demanda ficou mais evidente no primeiro leilão da NTN-F para 2029. Com remuneração prefixada, este é o título com horizonte mais longo dentre os papéis em circulação. A oferta de 3 milhões de unidades foi absorvida integralmente pelo mercado. E a taxa negociada para os ativos, de 10,1799%, representa um desconto de 0,53 ponto em relação ao contrato de DI de prazo equivalente, sinalizando que foi aceito até um juro mais baixo para se posicionar nesse trecho. O fato de as taxas máxima e média terem ficado no mesmo ponto confirma a consistência da demanda.


A participação no leilão foi bastante pulverizada, de acordo com profissionais bastante atuantes na área. A busca pelos títulos teria incluído desde fundos de pensão até gestores de "hedge funds". "Os gestores estão buscando mais resultados e saindo de ativos mais conservadores, como papéis ligados à inflação (NTN-B)", avalia o operador de uma corretora paulista.


Neste começo de ano, os sinais de fortalecimento da atividade global e a ausência de notícias negativas no cenário doméstico compõem o pano de fundo para recomposição das carteiras de investimento. "A virada do ano trouxe renovação de ânimo dos investidores após uma postura mais defensiva nos últimos meses de 2017", diz o estrategista de renda fixa da Renascença, Pedro Barbosa.


As taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), negociados na bolsa brasileira, também indicam um aumento da disposição em assumir riscos. O DI janeiro de 2023 fechou a 9,750%, estável ante o ajuste anterior, mas segue nos menores níveis desde o final de outubro. Já o DI janeiro de 2021 caiu a 8,830%, de 8,850% no ajuste da véspera.


Entre outros vencimentos, o DI janeiro de 2019 terminou a sessão regular a 6,770% (6,775% no ajuste anterior) e DI janeiro/2020, a 7,930% (7,920% no ajuste anterior).


A diferença do DI janeiro de 2023 para o DI janeiro de 2019 já se afastou da máxima histórica, de 3,41 pontos percentuais registada em meados de dezembro, quando se intensificou o debate sobre a reforma da Previdência. Nesta quinta-feira, a inclinação nesse trecho fechou a sessão regular em 2,98 pontos, mesmo valor da véspera.


O alívio nas taxas não significa, entretanto, que os investidores tenham minimizado os riscos do cenário doméstico. As incertezas em torno da reforma da Previdência e da corrida eleitoral inibem uma atuação mais agressiva no mercado de juros futuros. Para continuidade do movimento positivo, os agentes financeiros ainda aguardam o julgamento em segunda instância, no final de janeiro, das denúncias contra o ex-presidente Lula. Isso porque uma decisão contrária ao petista deve prejudicar sua candidatura à Presidência.

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