Ibovespa resiste nos 79 mil pontos; dólar oscila

A bolsa reduziu o ritmo de negócios nesta segunda-feira, oscilando entre a pressão por uma realização de lucros e pelos ventos ainda favoráveis a ativos de risco. Mais cedo, o Ibovespa operou abaixo dos 79 mil pontos, numa clara correção de preços generalizada, que alcançou diretamente os papéis que têm grande peso sobre o índice. Mas acabou voltando a oscilar ao redor do nível do fechamento de sexta-feira assim, que começaram os negócios em Nova York, confirmando que o investidor estrangeiro ainda segue na ponta compradora.


Às 13h33, o Ibovespa subia 0,13% para 79.178 pontos. Mais cedo, tocou a mínima de 78.631 pontos. O giro de negócios é mais fraco, mostrando pouca disposição dos investidores em partir para um movimento de correção: até o horário acima, o volume de negócios somava R$ 1,754 bilhão.


Entre as blue chips, Petrobras ON subia 0,17%, Petrobras PN avançava 0,30%, BB ON perdia 0,15%, Bradesco ON tinha alta de 0,09%, oscilava PN caía 0,03% e Itaú, 0,02%.


Já Vale ON subia 1,58%. A ação da mineradora tinha giro de R$ 284 milhões, o mais forte até o momento, seguido do volume de Petrobras PN (R$ 154 milhões).


Outras ações que tiveram forte valorização neste ano, como as de varejo, também são pressionadas por um movimento de realização de lucros. É o caso de Lojas Renner (-0,38%) e Pão de Açúcar (-1,60%).


Entre as maiores altas, estão ações de papel e celulose. Fibria ON subia 3,16%, enquanto Suzano ON ganhava 2,19%.


O fato de a bolsa já ter rompido sucessivos recordes e ter se aproximado dos 80 mil pontos, em dez sessões de altas sucessivas, tira o fôlego de alta do Ibovespa. O mercado já tem colocado no preço a ideia de inflação sob controle, juro baixo e retomada da atividade. As incertezas fiscais, que cresceram na última semana com a discussão do governo sobre flexibilizar a chamada regra de ouro, que impede que se faça novas dívidas para pagamento dos gastos correntes, não alcançaram os negócios. Esse tema pode entrar na pauta, especialmente num momento em que os preços já andaram bastante.


Mas o vigor de Wall Street parece ainda ser o elemento determinante para a bolsa aqui. E o argumento local para que os preços acompanhem o tom favorável é a aposta de que o ex-presidente Lula será, de fato, impedido de participar da eleição no dia 24, pelo TRF-4.


Dólar


O mercado brasileiro de câmbio mostra resiliência contra a firme alta do dólar no exterior. Por aqui, a divisa americana oscila bem perto da estabilidade, a despeito da desvalorização das principais emergentes.


O movimento global é atribuído em boa parte a uma correção após o início de ano marcado pela disposição dos investidores em assumir riscos. A tendência positiva, de acordo com operadores, ainda não teria acabado, mantendo a janela aberta para que empresas brasileiras façam captações de recursos no exterior.


A perspectiva de entrada de capital é um dos fatores que contribui para o bom comportamento do real. Conforme publicado peloValor, o volume de emissões externas pode chegar a US$ 35 bilhões em 2018. Com as incertezas que cercam as eleições presidenciais em outubro, as companhias correm para garantir o refinanciamento de suas dívidas.


Nesta segunda-feira, o real tem o quinto melhor desempenho do dia numa lista das 33 moedas globais mais líquidas. E garante, por ora, a segunda performance mais positiva de 2018, ficando atrás apenas do peso colombiano.


O foco no curto prazo também está no julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula, previsto para o final de janeiro. A expectativa é de que o TRF-4 confirme a condenação executada pelo juiz Sérgio Moro, com aumento gradual de apostas para uma decisão unânime.


Um resultado de dois votos a um, entretanto, é considerado negativo já que abriria espaço para novos recursos de Lula, alimentando incertezas sobre o quadro eleitoral. Se este for o placar, os mercados podem devolver a melhora deste início de ano, diz Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Modal Asset. "Por enquanto, as apostas estão no meio do caminho e, se o placar for de três a zero, devemos ver um rali forte", acrescenta.


Por volta das 13h33, o dólar comercial caía 0,12%, a R$ 3,2287.


O contrato futuro para fevereiro, por sua vez, recuava 0,06%, a R$ 3,2380.


Juros


O prêmio no mercado de juros futuros volta a cair nesta segunda-feira, sinalizando a contínua busca por rentabilidade dos agentes financeiros. Com câmbio bem-comportado, as taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operam em baixa ao longo da sessão, a despeito das preocupações com a situação fiscal.


O DI para janeiro de 2021 cai a 8,850%, ante 8,890% no ajuste anterior, num dia de liquidez reduzida. Entre vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2023 recua a 9,730%, ante 9,790% no ajuste anterior. Ambas as taxas seguem assim nos menores níveis desde outubro de 2017.









Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos