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Ibovespa cede à realização de lucros e cai; dólar sobe

Contrariando o padrão recente, a abertura de Wall Street só reforçou a tendência de realização de lucros esboçada pela bolsa brasileira desde a abertura dos negócios. O Ibovespa segue acima da linha dos 79 mil pontos, mas exibia uma queda mais expressiva às 13h30, de 0,33%, aos 79.116 pontos. O giro financeiro segue moderado, de R$ 2,5 bilhões.


Logo no início da sessão, a bolsa mostrou-se hesitante, operando entre leves quedas e leves altas. Enquanto boa parte das blue chips, como bancos e Petrobras, cedia, Vale ainda exibia grande vigor, limitando as perdas do índice. A mineradora subia 0,21%, aos R$ 43,32, mas chegou a subir a R$ 45,75, nível que é a máxima do papel em pelo menos um ano.


Mas quando os negócios em Nova York começaram e ficou desenhado um movimento de correção também por lá, a bolsa aqui também fraquejou.


O ajuste que se vê nos preços é considerado natural e, de certa forma, até desejado. "Essa correção é um fôlego necessário para que as compras sejam retomadas", diz um operador.


Aqui, as vendas no varejo, mais fortes do que o esperado, corroboram a leitura de que a economia segue em recuperação, num ritmo um pouco mais acelerado do que se previa. O varejo restrito cresceu 0,7% em novembro, ante a média de estimativas de 0,3% colhidas pelo Valor Data. Já o varejo ampliado subiu 2,5%, ante a expectativa de 0,6%.


Já no campo inflação, o IGP-DI de dezembro subiu 0,74%, desacelerando-se ante o 0,80% registrado em novembro, o que garantiu uma deflação acumulada no ano de 0,42%. Indicador que corrobora a visão de que o avanço da economia ocorre sem pressões inflacionárias, abrindo espaço para mais algum corte de juros. Cenário bastante favorável para a bolsa.


Na cena corporativa, o mercado reage à notícia de O Estado de S.Paulo de que a CSN poderá fazer até o fim desta semana a venda de um 'block trade' de ações da Usiminas. CSN era às 13h08 a maior alta do índice (2,81%), enquanto Usiminas PNA ganhava 1,38%.


Na ponta negativa, o destaque são as ações da Eletrobras lideram as baixas do Ibovespa no dia, refletindo os ruídos em torno da privatização da companhia e meio às informações de que a elétrica enfrenta dificuldades para a venda de suas distribuidoras. Segundo apurou a jornalista Juliana Machado, a combinação de elementos considerados de risco para um processo muito esperado pelo mercado está levando a ON da empresa a cair 2,07%, enquanto a PNB cede 3,19%.


Dólar


O dólar revela um sinal errático na sessão desta terça-feira, oscilando entre pequenas perdas e ganhos ao longo da manhã. O comportamento instável da divisa americana por aqui fica no meio do caminho entre as direções divergentes nos principais mercados emergentes.


Em geral, o dia é de alta quase generalizada do dólar no exterior, com nova onda de correção após a queda nos primeiros dias do ano. Ainda assim, o rublo russo e o rand sul-africano desafiam a tendência e operam em terreno positivo.


O real mostra resiliência mais uma vez. Numa lista das 33 principais divisas globais, o câmbio brasileiro tinha um desempenho de meio de tabela, mas ainda distante das perdas do peso mexicano e zloty polonês, destaques negativos do dia.


Por volta das 13h30, o dólar comercial subia 0,53%, a R$ 3,2532.


O contrato futuro para fevereiro, por sua vez, avança 0,28%, a R$ 3,2600.


Apesar dos ajustes trazidos pelo exterior neste terça-feira, o comportamento relativamente calmo dos ativos locais é atribuído à percepção de melhora do cenário eleitoral. Isso porque, nos primeiros dias do ano, ganhou força a leitura de que o ex-presidente Lula deve ser condenado em segunda instância no TRF-4. Se confirmada, a decisão prejudicaria a campanha eleitoral do petista para presidência, abrindo caminho para candidatos mais alinhados com a agenda do mercado.


A situação do petista é ponto crucial nos cenários, até porque, por ora, não há grande entusiasmo com os nomes de "centro" que vem sendo ventilados no noticiário. Henrique Meirelles e Rodrigo Maia - que respondem hoje como ministro da Fazenda e presidente da Câmara - vêm ganhando evidência como possíveis candidatos à Presidência. Mas por mais que sejam alinhados à agenda de reformas, não há consenso sobre as eventuais candidaturas.


"Neste momento, vários atores tentam pleitear o apoio do centro, mas não parece ter nada definido", diz um profissional. O movimento é "natural" neste começo de ano, principalmente, porque o Alckmin - nome de centro mais claro na disputa - ainda não teria ganhado tração. "O jogo ainda está nas etapas inicias e só vamos ter mais visibilidade após o julgamento de Lula", acrescenta.


Juros


Os juros futuros passam a operar em alta no começo da tarde desta terça-feira. Alinhado à direção do dólar, o movimento não foi constante ao longo da manhã. A leitura é de que o ambiente ainda é favorável para melhora dos ativos, embora atraia ajustes de preços.


A taxa projetada pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subia a 8,900%, ante 8,860% no ajuste anterior.


O ajuste também se evidencia na chamada inclinação da curva de juros, que mede o prêmio exigido para alocação em vencimentos mais longos. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 sobe 3 pontos-base para 295,5 pontos-base, ante 292,5 pontos base no fechamento de ontem. A correção, entretanto, é apenas metade da queda da véspera.

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