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IPCA acima do esperado pressiona Ibovespa

Faltou fôlego para a bolsa e, pelo segundo dia consecutivo, investidores optaram por embolsar parte dos ganhos obtidos até aqui no mercado de ações. A alta dos juros dos Treasuries e o resultado do IPCA de dezembro, mais alto do que o esperado, serviram de argumento para uma onda vendedora que, segundo operadores, teve clara presença de investidores estrangeiros - justamente os que vinham se destacando na compra nos momentos de alta.


Às 14h, o Ibovespa caía 0,63% para 78.368 pontos. Na mínima, tocou 78.163 pontos. O volume financeiro, no entanto, mostra-se mais fraco do que nas últimas sessões, o que sugere que trata-se apenas de um ajuste pontual e não uma reversão de posições.


Para o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, o mercado reage nesta quarta-feira (10) em grande medida ao IPCA de dezembro, que subiu 0,44%, ante a média das projeções colhidas pelo Valor Data, de 0,31%. Número que enfraquece a expectativa de que a queda da Selic prossiga para além da reunião de fevereiro. "O mercado tinha dois eventos importantes neste começo de ano: a divulgação do IPCA e o julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4", diz. "Como a inflação veio acima do esperado, o mercado se ajusta."


Apesar da correção, diz Plácido, a tendência da bolsa segue positiva, em grande parte porque o nível do juro, abaixo de 7%, ainda é muito favorável às empresas. "Não é essa discussão sobre o fim do ciclo em fevereiro ou em março que vai interromper esse movimento positivo", diz. Ele observa que, mesmo que a Selic fique no nível atual, de 7%, a taxa estará bem abaixo do que foi a Selic média de 2017, de 9,84%. E isso ajudará a melhorar o nível de alavancagem financeira das empresas, num momento em que já há uma melhora da alavancagem operacional, graças ao crescimento econômico em curso.


Diante disso, Plácido acredita que a bolsa caminha para romper os 80 mil pontos em breve. Isso pode ocorrer caso os mercados externos voltem a melhorar, em reação a algum indicador vindo da China ou dos Estados Unidos. Ou ainda caso Lula seja derrotado no recurso que moveu contra a condenação pelo juiz Sérgio Moro num placar unânime. "Se tiver unanimidade, o Ibovespa supera os 80 mil pontos", prevê.


Entre as ações, chama a atenção o desempenho de papéis do setor elétrico. Cemig PN sobe 2,53% e Smiles ON avança 2%. Já a RaiaDrogasil ON cai 2,41%.




Dólar


O mercado de câmbio releva dificuldade para tomar uma direção mais clara nesta quarta. A despeito das perdas das emergentes e avanço dos juros americanos, o dólar opera bem próximo da estabilidade e se acomoda ligeiramente abaixo de R$ 3,25. Por volta das 13h40, a moeda americana era cotada a R$ 3,2416, com queda de 0,13%. Já o dólar para fevereiro era negociado no horário a R$ 3,250, com queda de 0,25%.


As atenções dos investidores ainda se voltam para o exterior neste começo de ano. Os sinais de melhora da atividade global, como os dados de inflação da China divulgados ontem (9) à noite, amparam a confiança no fluxo de capital para emergentes.


Por outro lado, sinais de desaceleração da oferta de liquidez global limitam o ânimo e induzem a correções em alguns ativos de risco. Desta vez, foi reportado que a China está considerando a possibilidade de reduzir a sua exposição aos títulos americanos, o que impulsionou os juros dos Treasuries. O movimento estende a alta da véspera, quando os yields americanos avançaram após a decisão do Banco do Japão (BoJ) de diminuir as compras de títulos dos EUA.


Juros


O comportamento dos juros futuros hoje reflete uma postura mais cautelosa dos investidores para o ciclo de corte da Selic. O aumento da inflação no final do ano passado surpreendeu os participantes do mercado. E quem esperava uma justificativa para apostar numa queda mais agressiva do juro básico volta a assumir uma posição defensiva.


Os trechos mais curtos e intermediários da curva de juros são os mais afetados pela reação aos dados de inflação. A taxa projetada pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019, por exemplo, subia a 6,870% por volta das 13h45, ante 6,810% no fechamento passado.


Conforme divulgado, o IPCA acelerou para 0,44% em dezembro, de 0,28% em novembro. A taxa ficou bem acima da média de 0,31% estimada pelo mercado. O resultado do IPCA "decepcionou" quem esperava uma continuidade de números positivos de inflação, que marcaram o ano de 2017, diz o trader de renda fixa Matheus Gallina, da Quantitas.


A resposta imediata nos juros futuros reflete uma retirada de apostas de queda da Selic, principalmente para a reunião do Copom em março. A probabilidade de corte da Selic no mês em questão estava em cerca de 50% até ontem, sendo reduzido hoje a 20%. O impacto também se observa nas apostas para fevereiro, embora estas já estejam mais consolidadas para corte de 0,25 ponto. "Ainda se mantém a aposta de queda de 0,25 ponto da Selic, mas foi reduzida a chance de atuação um pouco mais agressiva, de 0,50 ponto", diz Gallina.


No horário acima, o DI para janeiro de 2020 subia a 8,080%, ante 8,000% no fechamento passado, e o DI janeiro para 2021 avançava 0,05 ponto para 8,940%.



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