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Ibovespa sustenta os 81 mil pontos e dólar recua

O Ibovespa passou a manhã oscilando ao redor do nível do fechamento, mas na maior parte do tempo conseguiu manter-se no terreno positivo, sempre acima do patamar dos 81 mil pontos nesta manhã. Após a forte alta recente, que já alcança 6,46% no mês, e sem novos 'drivers' no radar, há uma clara pressão por realização de lucros. Mas algumas boas notícias corporativas e a continuidade do ambiente favorável ao risco inibem as vendas.

Às 13h15, o Ibovespa subia 0,04%, aos 81.223 pontos. Mais cedo, alcançou a máxima de 81.367 pontos.

Petrobras é um dos papéis que mostra resiliência. Depois da forte alta de ontem, as ações até tocaram o terreno negativo algumas vezes durante o pregão, mas acabam se recuperando. Há instantes, Petrobras ON subia 0,21% para R$ 19,52. Mas mais cedo chegou a renovar a máximas em quase quatro anos, ao tocar R$ 19.66. Já Petrobras PN cedia 0,11%, para R$ 18,34, mas tocou a máxima de R$ 18,53 mais cedo.

As ações de siderurgia, destaques de valorização no começo da semana, perdem fôlego tanto por causa do ajuste natural do mercado mas também motivadas pela decisão da Camex de não sobretaxar aço laminado de empresas russas e chinesas, como o mercado acreditava que ocorreria.

Usiminas PNA caía 0,36%, Gerdau PN recuava 0,20%, Gerdau Metalúrgica operava estável e CSN perdia 0,46%.

As ações de papel e celulose, por outro lado, foram destaques positivos. Fibria ON , maior alta do índice, avançava 4,35% há pouco, reagindo à decisão da empresa reajustar o preço da celulose. Suzano ON, por sua vez, ganhava 3,61%, enquanto Klabin avançava 1,01%. A Fibria elevou o preço da tonelada de celulose em US$ 30,00 para Europa e América do Norte e em US$ 20,00 para a Ásia.

Ações do setor de construção também merecem destaque, após que prévias operacionais sinalizaram uma retomada nos números do quarto trimestre. Segundo anotou a jornalista Chiara Quintão, o conjunto dos números apresentados por Cyrela, Direcional Engenharia, Even Construtora e Incorporadora, EZTec, MRV Engenharia e Tenda apontam que lançamentos e vendas tiveram crescimento expressivo na comparação com 2016. Em conjunto, as seis incorporadoras lançaram o Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 12,536 bilhões, no ano passado, o que representa expansão de 29,7%. As vendas líquidas cresceram 36,4%, para R$ 11,284 bilhões. Os dados incluem somente a parte própria das incorporadoras nos projetos. O mercado espera consolidação da melhora operacional neste ano.

MRV ON sobe 0,25%. Já Cyrela ON, que chegou a atingir a máxima de R$ 14,61 recuava há instantes 0,90% para R$ 14,26.

Dólar

O dólar opera em queda no início da tarde desta quinta-feira e volta a marcar R$ 3,20. Depois de mostrar alguma dificuldade em tomar uma direção mais clara, o mercado local se alinha ao sinal vindo do exterior.

Por volta das 13h15, o dólar comercial caía 0,27%, a R$ 3,2070, tendo tocado mínima em R$ 3,2020. Com isso, o real se afasta do pior desempenho da sessão, o que foi observado durante a manhã, e aponta para a mesma direção que as principais divisas globais.

O contrato futuro para fevereiro, por sua vez, recuava 0,66%, a R$ 3,2120.

O pano de fundo do movimento conta com novos sinais de melhora da atividade global. O PIB da China cresceu 6,9% em 2017, marcando a primeira aceleração de ritmo em sete anos, além de superar as expectativas do governo, de alta de 6,5%. Ao mesmo tempo, ainda são minimizados os riscos de uma rápida recomposição da inflação global, o que forçaria uma redução de estímulos pelos principais bancos centrais do mundo.

O contexto de ampla liquidez favorece a captação de recursos no exterior. Sinal da percepção positiva veio com o anúncio de concessão de mandato para reabertura do título Global 2047, bônus da República denominado em dólares e com vencimento em 21 de fevereiro de 2047. Segundo oValorapurou com fontes a par do assunto, a taxa estimada na emissão é de 5,8%.

A despeito do ambiente externo favorável, os investidores não destacam os riscos políticos no horizonte. No curto prazo, está o julgamento do ex-presidente Lula, no próximo dia 24. A expectativa é de que a condenação do petista, no caso do tríplex do Guarujá (SP), será confirmada em segunda instância no TRF-4. Com a iminência da data, aumenta a ansiedade entre os investidores, uma vez que a decisão pode ajudar a desenhar o quadro eleitoral.

Uma posição unânime dos desembargadores contra o petista reduziria prazos e opções de apelação, aposta que apoia a visão otimista do mercado. Por outro lado, uma frustração com um placar dividido, embora ainda contra Lula, deve desencadear uma correção nos preços dos ativos. Já uma vitória na Justiça do ex-presidente tende a trazer turbulência.

Por ora, seja pelo exterior ou pela expectativa com a cena política, a leitura no mercado ainda é de dólar bem-comportado, com algum viés de baixa.

O segmento de derivativos cambiais também indica que o maior risco avaliado no mercado hoje é de queda do dólar, em vez de uma recomposição de preço. Isso considera os contratos de opção com vencimento em fevereiro 2018, os quais serão liquidados pela última PTAX de janeiro.

Dentre os números registrados na B3, os contratos abertos para opção de venda de dólar ("PUT") se concentram no valor referencial de R$ 3,20. Este ativo tem a maior posição dentre aqueles com o mesmo vencimento, com 22.525 contratos. Em seguida, vem a opção de venda a R$ 3,175, a qual tem 18.010 contratos em posição. Importante ponderar, no entanto, que as operações não significam necessariamente apostas direcionais para queda do dólar, uma vez que também concentram operações de proteção usadas por exportadores, por exemplo.

Juros

Com atenções voltadas para a política, o mercado de juros futuros sinaliza uma postura mais cautelosa dos investidores. As taxas operam em viés de alta nesta quinta-feira, sob um movimento que contribui para limitar a exposição ao risco após início de ano bastante positivo na busca por prêmio.

A taxa projetada pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 sobe a 8,950% no início do período vespertino, ante 8,910% no ajuste anterior. Apesar do ajuste, o ativo ainda acumula queda de 0,12 pontos no ano.

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