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Exterior arisco favorece alta de juros futuros na B3

30/01/2018 18h07

Os juros futuros até desaceleram as altas perto do fim da tarde desta terça-feira, mas ainda chegaram ao término do pregão regular na B3 apontando para cima. O movimento é atribuído por analistas ao ajuste negativo nos mercados externos, com destaque para a contínua escalada dos rendimentos de títulos do Tesouro americano, que por sua vez impõe às bolsas de Wall Street o pior dia de 2018.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 subia a 6,805% ao ano (6,785% no ajuste anterior).O DI janeiro/2020 indicava 7,990% (7,97% no ajuste anterior).O DI janeiro/2021 mostrava 8,800% (8,79% no ajuste anterior).E o DI janeiro/2023 operava estável, a 9,510%, depois de uma máxima de 9,560%.


Após um começo de ano que ainda surpreende pela forte demanda por ativos de risco - e de emergentes -, analistas já previam alguma correção mais expressiva. A dúvida é qual a resistência do sentimento positivo a um salto adicional nas taxas dos Treasuries, que já subiram cerca de 30 pontos-base neste ano. Hoje, o "yield" (retorno ao investidor) do papel de dez anos - referência para a renda fixa global - bateu 2,733% ao ano, máxima desde abril de 2014.


Com a linha dos 3% cada vez mais próxima, ganha força o debate acerca do potencial de ajuste dos mercados. E, dada a queda dos prêmios de risco no Brasil neste ano, as taxas de juros de vértices mais dilatados poderiam ter caminho livre para revisitar patamares mais altos de semanas atrás.


"Não seria uma surpresa a continuidade do ajuste lá fora provocar uma correção nas taxas longas", diz Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Corretora.Para ele, é muito mais uma questão da velocidade do que da trajetória ascendente em si. "Se for de forma gradual, como se espera, não vejo problemas. A questão é uma surpresa com inflação ou um 'sell-off' mais intenso nos Treasuries", diz.


Por ora, os preços na renda fixa brasileira não revelam aumento substancial de nervosismo. Os contratos de DI embutem Selic de 8,03% para o fim deste ano, alta de 7 pontos-base sobre ontem, mas ainda abaixo dos 8,23% precificados recentemente. E alguns FRAs de DIs para prazos mais longos oscilam nesta terça-feira em leve baixa.


Mais otimistas que no começo da semana passada, alguns analistas destacam que os temas locais devem ganhar mais visibilidade a partir de agora e, portanto, abrir espaço para mais volatilidade em caso de virada de humor no exterior. O desenrolar do noticiário sobre potenciais candidatos à Presidência da República e a evolução da agenda de reformas são pontos bastante sensíveis ao mercado hoje e, dada a indefinição, ainda geram ansiedade.


Nesta quarta-feira, os ânimos do mercado podem ser colocados à prova com os resultados de pesquisa Datafolha de intenção de votos à Presidência. Será a primeira grande sondagem a ser reportada após o julgamento do TRF-4, que não só confirmou a condenação de Lula como aumentou a pena do petista.


"O mercado deve se voltar cada vez mais para a agenda doméstica", diz Luis Laudísio, da Renascença, segundo o qual outro tema volta ao radar do mercado: a reforma da Previdência. "Não acho que o mercado vai reagir tão mal em caso de não haver votação em fevereiro. Reagiria melhor se houvesse a surpresa de acontecer a votação", completa.


Nesta terça, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou ser preciso fazer a reforma da Previdência enquanto o cenário global está favorável.

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